Nogueira procura apoio de Lula, é ignorado e se alia a Bolsonaro

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Senador Ciro Nogueira é alvo de operação da Polícia Federal em investigação sobre Banco Master.

O senador Ciro Nogueira, um dos líderes do centrão em Brasília, foi alvo de uma operação da Polícia Federal que cumpriu mandados de busca e apreensão em seus endereços. A ação faz parte da nova fase da operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de irregularidades financeiras relacionadas ao Banco Master.

A investigação apura se Nogueira recebeu quantias financeiras operadas por Felipe Vorcaro, primo do proprietário do banco, Daniel Vorcaro. O senador, que tem uma trajetória marcada por alianças políticas flexíveis, já transitou entre os governos petistas e a administração de Jair Bolsonaro, buscando apoio de diversos grupos políticos ao longo de sua carreira.

Nascido em 1968 em Teresina, Piauí, Ciro Nogueira é formado em Direito e foi deputado federal por quatro mandatos antes de ser eleito para o Senado em 2011, sendo reeleito em 2018. Desde 2013, preside o Progressistas, partido que tem sido uma peça-chave nas articulações políticas do país.

O senador é conhecido por sua habilidade em se alinhar com diferentes governos. Em momentos distintos, elogiou e criticou figuras como Lula e Bolsonaro, alternando entre apoio e oposição conforme as conveniências políticas. Durante a CPI da Covid, Nogueira se destacou ao defender o governo, mas também soube se ausentar estrategicamente em momentos críticos.

Ele tem um histórico de relações próximas com o poder, e gestos pessoais, como presentear amigos com camisetas do time de futebol Ríver do Piauí, revelam suas conexões políticas. Em 2020, esse gesto simbolizou sua aproximação com o governo Bolsonaro, coincidindo com a entrada do centrão na administração.

Em 2021, Nogueira assumiu o cargo de ministro-chefe da Casa Civil, um dos mais importantes do governo, responsável por coordenar as ações governamentais. Contudo, sua trajetória não foi isenta de controvérsias. Em 2022, ele foi alvo de uma operação da Polícia Federal por suspeitas de receber dinheiro da JBS em troca de apoio político, mas o caso foi arquivado por falta de provas.

Após o término do governo Bolsonaro, Ciro Nogueira atuou como porta-voz na transição para o governo Lula e, em 2023, buscou articular sua permanência no Senado, tentando um acordo que envolvesse o afastamento do PP de Flávio Bolsonaro na corrida presidencial.

RELAÇÃO COM BETS E MALAS EM AVIÃO

Recentemente, Ciro Nogueira foi mencionado em um caso envolvendo o transporte de malas que não passaram pelo raio-x ao retornar ao Brasil. A Polícia Federal investiga o incidente, que ocorreu em um voo particular de um empresário do setor de apostas online.

O senador defendeu publicamente o empresário durante uma CPI e, segundo relatos, fez viagens de turismo em jatos particulares ligados a esse empresário. A investigação também revelou movimentações financeiras entre o ex-assessor de Nogueira e o empresário, levantando questões sobre a origem e o destino dos recursos.

Ciro Nogueira afirmou que as transações estavam relacionadas a reembolsos e negociações pessoais, mas a situação continua sob escrutínio, refletindo a complexidade de suas relações políticas e financeiras.

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