Nova técnica transforma fungos em potencial aliado no combate ao câncer
Nova tecnologia de edição genética pode revolucionar a descoberta de medicamentos contra o câncer.
Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia desenvolveram uma inovadora tecnologia de edição genética chamada fPE7max, que tem a capacidade de reativar genes adormecidos em fungos filamentosos. Essa inovação pode revelar novas substâncias com potencial farmacêutico no combate ao câncer.
A pesquisa identificou compostos inéditos produzidos por fungos que, até então, eram considerados quimicamente pouco explorados em ambientes laboratoriais. Parte dessas moléculas demonstrou ação seletiva contra células tumorais humanas, incluindo tipos de câncer como o de mama, fígado e leucemia.
O objetivo desse avanço é superar as limitações históricas na exploração do reino fúngico e ampliar a descoberta de compostos naturais que podem ter aplicação médica, especialmente em áreas onde há uma carência de novas terapias eficazes.
Os fungos já desempenharam um papel fundamental na medicina moderna, com exemplos como a penicilina e medicamentos para controle do colesterol. No entanto, a diversidade química desse reino biológico ainda permanece em grande parte inexplorada.
Um dos desafios enfrentados pelos cientistas é o comportamento dos fungos fora de seu ambiente natural. Em laboratório, muitos genes responsáveis pela produção de substâncias químicas permanecem inativos, dificultando a obtenção dos compostos desejados.
Para resolver esse problema, a equipe de pesquisa criou o fPE7max, uma adaptação da técnica de edição genética conhecida como prime editing, com foco específico em fungos filamentosos e maior precisão nas modificações do DNA.
Durante o desenvolvimento da tecnologia, dois desafios principais foram identificados. O primeiro envolveu a fragilidade do RNA guia, que tende a se degradar facilmente em modificações mais longas. O segundo desafio estava relacionado ao sistema de reparo celular dos fungos, que frequentemente reverte alterações no material genético.
A solução encontrada combinou uma proteína protetora derivada de fungos, chamada fLa, com um mecanismo que reduz temporariamente a ação do sistema de reparo celular. Essa combinação aumentou a precisão do método e melhorou sua eficiência.
Com a ferramenta estabilizada, os cientistas conseguiram ativar o gene regulador laeA, que coordena redes inteiras de produção química dentro dos fungos. A liberação desse controle possibilitou a produção de novos compostos que antes estavam silenciados.
O estudo registrou um total de 18 moléculas distintas, das quais oito são inéditas para a ciência. Três dessas moléculas apresentaram atividade contra células cancerígenas humanas, enquanto outras pertencem a uma família química conhecida como piranonigrinas.
Os resultados sugerem que o potencial químico dos fungos pode ser muito maior do que se imaginava, e que técnicas de edição genética como a fPE7max podem acelerar a descoberta de novos candidatos a medicamentos.
