Novo Governo em Jogo: Rival de Netanyahu é Escolhido pelo Presidente de Israel
Gadi Eisenkot é escolhido para tentar formar novo governo em Israel após eleição inconclusiva.
O presidente de Israel, Isaac Herzog, designou Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior e líder do partido Yashar, para a tarefa de formar um novo governo. A decisão vem após uma eleição que não resultou em uma maioria clara, deixando tanto Eisenkot quanto o atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, sem o apoio necessário para governar.
A cerimônia de oficialização da escolha de Eisenkot está marcada para o próximo domingo (8), às 17h, no horário local. O novo líder terá um prazo de 28 dias para formar a administração, podendo receber uma prorrogação de até 14 dias, caso necessário.
“Este é o momento de formar um governo de emergência nacional. Farei tudo o que estiver ao meu alcance para garantir que estejamos à altura da responsabilidade”, declarou Eisenkot nas redes sociais após a nomeação.
Eisenkot, que se opõe a Netanyahu, recebeu o apoio de importantes partidos árabes-israelenses, o que lhe conferiu um total de 67 deputados no Knesset, o parlamento israelense. Para formar um governo, são necessárias 61 cadeiras.
O bloco de oposição liderado por Eisenkot, que inclui seu partido Yashar, conquistou 48 cadeiras. Este resultado também representa um avanço significativo para os partidos que representam a população árabe de Israel, que, em conjunto, conquistaram 19 cadeiras, um recorde histórico.
- A Lista Conjunta ficou com 11 vagas.
- O partido Ra’am elegeu 8 deputados.
A participação recorde de eleitores árabes, que representam cerca de 21% da população do país, contribuiu para esse crescimento. Os partidos árabes anunciaram apoio a Eisenkot durante as consultas com Herzog, o que o coloca em uma posição favorável para governar, embora Eisenkot tenha afirmado que não incluirá esses partidos em sua coalizão.
Histórico de oposição
Eisenkot, de 66 anos e filho de imigrantes marroquinos, poderá se tornar o primeiro premiê israelense da comunidade mizrahi, composta por judeus de origem no Oriente Médio e norte da África. Como crítico de Netanyahu, ele se opôs à condução da ofensiva militar na Faixa de Gaza e deixou claro que não participaria de um governo sob a liderança do atual primeiro-ministro.
A trajetória política de Eisenkot é marcada por perdas pessoais significativas, incluindo a morte de um filho e dois sobrinhos em combate na Faixa de Gaza desde 2023. Durante a campanha, ele destacou sua experiência em segurança e mencionou a “Doutrina Dahiya”, que prevê respostas militares desproporcionais a ataques, uma estratégia que ele utilizou durante a guerra de 2006 contra o Hezbollah.
Além disso, Eisenkot criticou a violência perpetrada por colonos israelenses contra palestinos, um problema crescente que tem tensionado as relações de Israel com países ocidentais. Ele também se opõe aos aliados de extrema direita de Netanyahu, que já enfrentaram sanções internacionais por suas declarações incitadoras de violência.