Novos bombardeios no Golfo elevam preço do petróleo acima de US$ 100
Irã intensifica ataques no Estreito de Ormuz, elevando preços do petróleo acima de US$ 100.
O Irã anunciou nesta quarta-feira que atacou diversas embarcações no Estreito de Ormuz, resultando em uma escalada significativa nas tensões regionais e impulsionando os preços do petróleo para além da marca de US$ 100, um patamar não alcançado desde julho.
Teerã justificou a ofensiva como uma resposta à perda de cinco petroleiros iranianos em bombardeios realizados pelo exército dos Estados Unidos na véspera. Esta ação reflete a crescente hostilidade entre os dois países, que estão em conflito desde o início de uma nova fase de hostilidades em fevereiro.
A república islâmica exerce um controle rigoroso sobre o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, enquanto os Estados Unidos mantêm um bloqueio em portos iranianos, exacerbando as tensões.
A diplomacia iraniana declarou que as ações dos Estados Unidos contra navios comerciais iranianos representam uma ameaça à paz e segurança, invocando o “direito à legítima defesa” para justificar suas ações.
A Guarda Revolucionária, a principal força militar do Irã, afirmou ter atacado duas embarcações americanas, além de oito petroleiros e outros dez navios que tentavam atravessar o estreito. Relatos de uma agência marítima britânica indicaram que vários navios mercantes estavam em chamas, embora não tenham sido confirmadas vítimas.
Novas escaladas
Os recentes eventos são vistos como uma “nova escalada” no mercado petroleiro, segundo analistas. Antes do início do conflito, a navegação pelo Estreito de Ormuz era considerada segura, mas agora Teerã exige que as embarcações solicitem permissão para a travessia, uma exigência que Washington e outros países rejeitam.
A Guarda Revolucionária também anunciou a criação de uma nova “zona de exclusão” nas proximidades do estreito, abrangendo partes do Golfo de Omã e do Mar Arábico. O porta-voz do exército iraniano advertiu que qualquer navio que entrar nesta área sem autorização prévia enfrentará sanções, embora não tenha especificado quais seriam essas penalidades.
Além disso, a Guarda Revolucionária reivindicou a responsabilidade por ataques a uma base americana na Jordânia, onde o exército jordaniano relatou a interceptação de 18 mísseis.
Cinco petroleiros
Os ataques mais recentes do Irã surgem após os Estados Unidos anunciarem a destruição de cinco navios petroleiros iranianos, em retaliação a ataques anteriores de Teerã contra um navio militar americano.
A Guarda Revolucionária confirmou a perda dos petroleiros e sugeriu que a guerra com os Estados Unidos poderia ser encerrada se Washington aceitasse várias condições iranianas, incluindo o fim das ameaças, a liberação de 24 bilhões de dólares em ativos congelados e a interrupção de qualquer interferência nos programas nuclear e balístico do Irã.
Fontes americanas indicaram que assessores do governo atual alertaram que o conflito poderia se prolongar pelos próximos dois anos. A questão nuclear permanece um ponto central de tensão entre o Irã e as potências ocidentais, com relatos de que o país acelerou a construção de uma instalação nuclear subterrânea.
Recentemente, o Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) votou a favor de levar o Irã ao Conselho de Segurança da ONU devido ao descumprimento de suas obrigações nucleares.
O memorando de entendimento assinado entre Irã e Estados Unidos em junho, que visava resolver o conflito no Oriente Médio, foi desfeito em julho, resultando em um impasse nas negociações.
Nesse contexto, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que a república islâmica está próxima do colapso, enfatizando que o objetivo central é a derrubada do regime iraniano, uma tarefa que, segundo ele, está ao alcance.