Operação contra Ciro Nogueira é interpretada como aviso a Vorcaro em delação
Investigação da Polícia Federal avança sobre senador Ciro Nogueira em meio a delação de ex-banqueiro.
A operação da Polícia Federal que investiga as relações do senador Ciro Nogueira (PP-PI) com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro está em andamento e é encarada como uma pressão para que a delação de Vorcaro apresente novos fatos relevantes.
Fontes próximas à investigação afirmam que a PF tem avançado nas apurações de irregularidades relacionadas ao Banco Master, independentemente das informações que possam ser trazidas por Vorcaro.
O ex-banqueiro foi transferido para a Superintendência da PF no Distrito Federal em 19 de março, onde se encontra em prisão preventiva, com o objetivo de negociar sua delação.
Desde essa transferência, a operação Compliance Zero já teve duas fases. A primeira, em 16 de abril, resultou na prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
A segunda fase, realizada recentemente, teve como alvo principal Ciro Nogueira, que, além de ser presidente do PP, foi ministro da Casa Civil no governo anterior, marcando um ponto significativo na investigação sobre a classe política.
O advogado de Nogueira, Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, negou quaisquer acusações de irregularidades, defendendo a conduta do senador em suas atividades parlamentares.
As ações da PF indicam que Vorcaro precisará apresentar provas que atinjam novos suspeitos, além de se comprometer com a devolução de bilhões em recursos e o pagamento de multas.
Informações indicam que o ministro André Mendonça, do STF, não pretende homologar a proposta de delação de Vorcaro nas condições atuais, o que pode impactar o andamento das investigações.
É importante destacar que a fase mais recente da operação não se baseou em depoimentos ou colaborações de investigados, sugerindo que a PF possui material suficiente para prosseguir sem a necessidade de acordos.
Na última semana, a PF solicitou ao STF a possibilidade de transferir Vorcaro novamente para um presídio federal, devido à sua lentidão em apresentar informações relevantes.
A defesa de Vorcaro entregou recentemente à PF e à Procuradoria-Geral da República uma versão inicial de sua proposta de delação, contendo detalhes sobre irregularidades cometidas por ele e outros envolvidos.
Agora, tanto a defesa quanto os investigadores analisarão essa proposta antes de discutir possíveis reduções de pena. Autoridades acreditam que a concessão de perdão judicial não será viável.
Os investigadores esperam que Vorcaro forneça informações detalhadas sobre os esquemas em que esteve envolvido, além de indicar formas de ressarcir os danos causados.
Embora tenha havido sugestões de que Vorcaro não estaria disposto a implicar magistrados do STF, seus advogados garantiram que ele não hesitará em incluir todos os envolvidos, o que pode facilitar as negociações.
