Papa Leão condena utilização de inteligência artificial para promover conflitos e violência

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Papa Leão XIV critica tirania e polarização global durante visita a Camarões

No terceiro dia de sua viagem a Camarões, o papa Leão XIV expressou preocupações sobre o impacto da inteligência artificial na sociedade, destacando seu papel na polarização e na violência.

Durante um discurso na Universidade Católica da África Central em Yaoundé, o pontífice enfatizou a crescente substituição da realidade por simulações, que resultam em pessoas vivendo em “bolhas impermeáveis”. Ele alertou que essa situação gera um ambiente de medo e desconfiança entre aqueles que são diferentes.

“Quando a simulação se torna regra, vivemos como dentro de bolhas impermeáveis umas às outras e nos sentimos ameaçados por qualquer um que seja diferente”, afirmou, sublinhando a transformação negativa da relação com a verdade.

Essas declarações surgem em um contexto de críticas ao uso de imagens geradas por inteligência artificial em campanhas políticas, como no caso de Donald Trump, que recentemente publicou uma imagem controversa em que se apresentava como uma figura religiosa.

O papa também denunciou a exploração de recursos africanos por potências estrangeiras, alertando que “o mundo está sendo devastado por um punhado de tiranos”. Sua mensagem em Bamenda, uma região afetada por conflitos separatistas, enfatizou a necessidade de solidariedade entre os povos.

Missão na África

Na manhã do mesmo dia, o papa celebrou uma missa ao ar livre em Duala, onde mais de 120 mil pessoas se reuniram, embora o governo tivesse estimado até 1 milhão de participantes. Durante a celebração, ele incentivou os jovens a servirem a seus países em vez de emigrar, ressaltando a necessidade de combater a corrupção no continente.

O pontífice também abordou as consequências ambientais e sociais da busca desenfreada por recursos naturais, como o cobalto, essencial para a tecnologia moderna, e criticou a exploração predatória que a África sofre por parte de potências estrangeiras, especialmente a China.

Após a missa, o papa visitou pacientes em um hospital católico em Duala e seguiu para Yaoundé, onde sua visita ao país se encerrará no dia seguinte. A viagem é parte de uma missão mais ampla que inclui paradas na Argélia, Angola e Guiné Equatorial até o dia 23 de abril.

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