Pesquisa mostra que a maioria dos brasileiros recorre à inteligência artificial para elaborar currículos
Maioria dos brasileiros utiliza inteligência artificial para aprimorar currículos.
Uma pesquisa recente indica que a maioria dos brasileiros em busca de emprego recorre à inteligência artificial para otimizar seus currículos. Essa tecnologia tem se mostrado eficaz na adaptação dos documentos às exigências dos processos seletivos, embora especialistas alertem sobre os riscos da homogeneização dos currículos.
Após 17 anos em uma única empresa, a gerente de contas Camila Vogel decidiu retornar ao mercado de trabalho e percebeu a necessidade de atualizar seu currículo para se alinhar às novas etapas de seleção, muitas das quais são auxiliadas por inteligência artificial. Para isso, ela optou por utilizar a ferramenta.
“Eu precisei entender quais padrões estavam sendo usados hoje no mercado. Usei a inteligência artificial para identificar palavras-chave, nomenclaturas de vagas que tinham relação com o meu perfil”, relata.
Um estudo abrangente realizado por uma consultoria de recursos humanos, envolvendo 60 mil profissionais em 36 países, revela que mais da metade dos candidatos brasileiros usa inteligência artificial para personalizar seus currículos e aumentar suas chances de sucesso nos filtros automáticos das empresas.
No entanto, a pesquisa também destaca um efeito colateral preocupante: a padronização dos perfis. Recrutadores observam que muitos currículos se tornam semelhantes, o que pode dificultar a diferenciação dos candidatos que buscam se destacar.
“Cada vez mais os currículos ficam parecidos. Isso cria uma dificuldade para o candidato se diferenciar e também para os recrutadores identificarem quem realmente tem um perfil mais aderente à vaga”, explica um diretor de uma renomada consultoria de recrutamento.

Uma organização sem fins lucrativos que promove a inclusão de jovens no mercado de trabalho enfatiza que a inteligência artificial deve ser uma ferramenta de apoio e não um substituto para as experiências e características individuais dos candidatos.
“É buscar um equilíbrio. A inteligência artificial pode ser utilizada, mas o currículo deve ser complementado com as experiências pessoais, destacando pontos importantes que a tecnologia pode não captar”, afirma um executivo da organização.
Especialistas recomendam que os candidatos revisem cuidadosamente os textos gerados pelas ferramentas antes de enviar seus currículos, evitando a cópia de modelos prontos sem adaptações. Essa prática é fundamental para garantir a autenticidade do documento.
Além disso, a pesquisa revela que o uso de inteligência artificial no ambiente profissional é mais frequente entre os brasileiros do que na média global. No Brasil, 71% dos profissionais afirmam utilizar essa tecnologia no trabalho, enquanto a média mundial é de 64%.

