Petróleo cai 3%, mas permanece acima dos US$ 100
Conflitos globais impactam o mercado de petróleo, elevando preços e reduzindo oferta.
A Agência Internacional de Energia (AIE) emitiu um alerta sobre a diminuição da oferta de petróleo, impulsionada pelos conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio.
Na sexta-feira, 11 de setembro de 2026, o preço do petróleo apresentou uma leve queda, mas ainda se manteve em torno dos US$ 100. Às 10h30, o barril do Brent era negociado a US$ 104,02, uma queda de 3,32%, enquanto o WTI recuava para US$ 98,57, com uma redução de 3,67%.
Apesar da queda momentânea, ambos os tipos de petróleo acumulam uma alta de quase 8% na semana, com o Brent se aproximando de sua maior valorização semanal desde julho. Essa situação pode indicar uma nova fase de volatilidade nos preços, especialmente se o barril do Brent permanecer acima da marca de US$ 100, algo que não acontece desde maio.
Na quinta-feira, 10 de setembro, o petróleo chegou a ser negociado próximo aos US$ 108, refletindo a tensão no mercado global.
CONFLITOS PRESSIONAM MERCADO
A AIE revisou suas projeções para a oferta e demanda global de petróleo, prevendo uma redução significativa. A agência destacou que o sistema global de refino está operando em sua capacidade máxima, enquanto os conflitos no Oriente Médio e a guerra entre Rússia e Ucrânia continuam a pressionar o mercado energético.
Para 2026, a oferta mundial de petróleo deve encerrar com uma redução de 5,7 milhões de barris por dia, o que representa uma queda de 6% em relação a 2025. Anteriormente, a previsão era de uma redução de 4%.
Além disso, a AIE também revisou para baixo as expectativas de demanda global, agora estimando uma queda de 2,5 milhões de barris por dia, em comparação com a retração de 1,6 milhão de barris projetada anteriormente.
Com o aumento dos preços dos combustíveis e a diminuição da oferta, a AIE prevê que 2026 poderá registrar a maior contração anual da demanda por petróleo desde o período pandêmico.
ORMUZ
A revisão das estimativas ocorre em um contexto de intensificação da guerra no Irã e de crescente tensão em rotas marítimas cruciais para o transporte de petróleo. O estreito de Ormuz, uma das principais vias de exportação da commodity, tem sido palco de ataques que aumentam os riscos para o transporte.
No Mar Vermelho, o grupo houthis, apoiado pelo Irã, tem avançado em direção ao Estreito de Bab al-Mandeb, realizando ataques a instalações de energia na Arábia Saudita que impactaram as operações na região.
Recentemente, foram registrados incidentes onde dois navios foram atingidos por projéteis não identificados nas proximidades de Khasab, em Omã, exacerbando as preocupações sobre a segurança das rotas de transporte.
ESTOQUES DE PETRÓLEO
A diminuição dos estoques de petróleo também exerce pressão sobre o mercado. A AIE alertou que as reservas de segurança estão em queda, o que tem sido crucial para equilibrar a oferta e a demanda durante a atual crise energética.
As refinarias operam próximas de suas capacidades máximas. Com a disponibilidade de petróleo reduzida e a capacidade de transformação em combustíveis limitada, qualquer interrupção adicional na oferta poderá resultar em uma pressão ainda maior sobre os preços.
A recuperação completa dos fluxos de petróleo dos produtores do Oriente Médio pode ser adiada para 2027, devido à continuidade dos conflitos na região.