PF investiga ligação próxima e alinhamento político entre Castro e Vorcaro para investimentos no Banco Master
Ex-governador do Rio é investigado por transferências bilionárias do Rioprevidência.
As transferências de R$ 3 bilhões do Rioprevidência para fundos de investimento ligados ao Banco Master estavam atreladas à atuação política do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro.
Na manhã desta terça-feira, Castro foi alvo de mandado de busca e apreensão na oitava fase da Operação Compliance Zero. Ele é suspeito de manter um “vínculo próximo” e “alinhamento político” com o banqueiro Daniel Vorcaro, conforme apontado pela Polícia Federal no pedido ao Supremo Tribunal Federal para autorizar a operação.
A defesa de Castro não se manifestou sobre as diligências até o momento da publicação.
A decisão do ministro do STF que autorizou as buscas destaca que Cláudio Castro desempenhou um papel politicamente relevante para viabilizar os aportes do Rioprevidência no Banco Master.
A Polícia Federal ressalta um “sincronismo” entre os encontros entre Castro e Vorcaro e os subsequentes aportes financeiros do Regime Próprio de Previdência Social. Conversas encontradas no celular de Vorcaro indicam que a liberação de determinados investimentos dependia de alinhamento político com o ex-governador.
O Rioprevidência, fundo de previdência dos servidores fluminenses, aplicou R$ 970 milhões em letras financeiras emitidas pelo Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central e é suspeito de operar créditos de alto risco. Esses títulos são dívidas emitidas pelo banco, sem garantia do Fundo Garantidor de Créditos, funcionando como empréstimos de investidores à instituição.
Atualmente, a Polícia Federal investiga aplicações de R$ 2,01 bilhões em fundos de investimento ligados ao Banco Master, com recursos administrados por gestoras que aplicam em diferentes ativos financeiros, incluindo papéis do próprio banco. Somando as duas modalidades, as movimentações sob investigação chegam a cerca de R$ 3 bilhões transferidos pelo Rioprevidência.
Segundo a Polícia Federal, a atuação do ex-governador não se limitou a contatos institucionais, mas envolveu um vínculo pessoal estreito com o controlador do Banco Master, caracterizado por encontros frequentes, incluindo em ambientes privados e no exterior, custeados pelo banqueiro. Esses encontros coincidem temporalmente com os aportes bilionários do Rioprevidência.
Esse relacionamento, conforme os investigadores, teria possibilitado o alinhamento político necessário para a liberação dos investimentos, além da nomeação estratégica de dirigentes do Rioprevidência em posições-chave, assegurando que as decisões de credenciamento e aplicação de recursos fossem conduzidas em conformidade com os interesses do Banco Master, apesar das normas regulatórias.
A Polícia Federal identificou mudanças na diretoria do Rioprevidência pouco antes do início dos investimentos no Banco Master.
Além de Castro, foram alvos das operações o lobista Ricardo Siqueira Rodrigues, o ex-presidente do Rioprevidência Deivis Marcon Antunes, o ex-diretor de Investimentos Eucherio Lerner Rodrigues, o ex-gerente de Investimentos Pedro Pinheiro Guerra Leal e a ex-gerente de Controle Interno e Auditoria Fernanda Pereira da Silva Machado.
No total, foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Distrito Federal. A reportagem busca contato com as defesas e o espaço está aberto para manifestações.
Para a Polícia Federal, o “sincronismo” entre reuniões e os aportes financeiros, juntamente com a troca de integrantes da diretoria do fundo e a ausência de justificativas formais para as operações, reforça a suspeita de interferência política de Castro nas aplicações.
Esta é a segunda vez em 11 dias que o ex-governador do Rio é alvo de buscas da Polícia Federal. Em uma operação anterior, foram apreendidos o celular e o tablet de Castro, no contexto de investigações sobre suas ligações com um grupo acusado de sonegação fiscal.
