Polícia Federal investiga desembargador e deputado de MT por suposta venda de sentenças
Operação da Polícia Federal mira desembargador e deputado estadual por corrupção e lavagem de dinheiro.
A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira uma operação chamada Gemini, focando em um desembargador e um deputado estadual de Mato Grosso. Ambos são suspeitos de envolvimento em um esquema de venda de sentenças e lavagem de dinheiro.
Durante a manhã, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em locais associados ao desembargador Dirceu dos Santos, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, e ao deputado estadual Faissal Calil, além do advogado Bruno Castro. As investigações revelam um esquema complexo que pode envolver várias instâncias da Justiça e da política local.
De acordo com as informações da PF, os alvos da operação são investigados por corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro. Como parte das investigações, os sigilos bancário, fiscal e telemático dos envolvidos foram quebrados, permitindo um exame mais profundo das movimentações financeiras.
POSICIONAMENTOS
Em uma declaração à imprensa, o deputado Faissal Calil afirmou ter colaborado com a investigação, entregando seu celular e senha à Polícia Federal. Ele negou qualquer participação no esquema de venda de sentenças, alegando que não mantém contato com o desembargador desde que assumiu seu cargo.
O advogado Bruno Castro, apontado como um possível intermediário no esquema, declarou que se apresentou espontaneamente para prestar esclarecimentos ao Conselho Nacional de Justiça e à Procuradoria Geral da República. Ele negou qualquer envolvimento em atividades ilícitas, afirmando que os contatos atribuídos a ele estão descontextualizados.
O Poder360 tentou contatar o advogado para obter uma manifestação sobre a operação, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição. O texto será atualizado caso haja um retorno.
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso informou que nenhum mandado foi cumprido em sua sede e que o processo está sendo analisado pelo Superior Tribunal de Justiça. O TJ-MT reiterou sua disposição em colaborar com as autoridades sempre que solicitado.
AFASTAMENTO PELO CNJ
Dirceu dos Santos já enfrenta um processo no Conselho Nacional de Justiça, que resultou em seu afastamento das funções em março, devido à apuração de movimentações financeiras incompatíveis com seu salário de juiz.
Relatórios de quebras de sigilo bancário e fiscal indicam que o magistrado movimentou mais de R$ 14,6 milhões nos últimos cinco anos, enquanto seus rendimentos oficiais totalizaram R$ 1,9 milhão no mesmo período. O CNJ identificou indícios de que ele teria proferido decisões em troca de vantagens indevidas, intercedendo em atos decisórios por meio de terceiros.
O afastamento cautelar do desembargador não possui prazo definido e deve se estender até a conclusão das investigações. O Poder tentou entrar em contato com a defesa de Dirceu dos Santos para comentar sobre a operação, mas não obteve sucesso. O jornal continuará a buscar uma resposta e atualizará a matéria assim que houver uma manifestação.
