Policiais utilizam técnicas para recuperar conversas e arquivos de celulares e nuvens de investigados
Programas de extração de dados de celulares são essenciais em investigações policiais.
O uso de tecnologias avançadas permite que policiais recuperem informações valiosas de celulares de investigados, incluindo conversas e arquivos apagados. Isso é possível através de análises em serviços de nuvem e softwares especializados que extraem dados de dispositivos móveis.
A recente megaoperação que desmantelou um esquema de lavagem de dinheiro, envolvendo R$ 1,6 bilhão, teve início com a análise de arquivos armazenados no iCloud. Essa abordagem facilitou o cruzamento de dados, como extratos bancários e comunicações, conforme relatado pela Polícia Federal.
A recuperação de informações pode ser realizada diretamente no celular do suspeito, caso ele esteja desbloqueado, ou por meio de ordens judiciais que obrigam plataformas a fornecer dados. Nos primeiros seis meses de 2025, foram feitos 38.290 pedidos de informações aos usuários do Google, com uma taxa de resposta de 77%. A Apple, por sua vez, recebeu 7.592 solicitações, atendendo 79% delas.
Policiais com acesso aos celulares também podem utilizar ferramentas como Cellebrite UFED e Magnet Greykey, que são capazes de contornar mecanismos de segurança e extrair uma vasta gama de informações.
Esses programas têm a capacidade de acessar históricos de mensagens em aplicativos populares, como WhatsApp e Telegram, e, em alguns casos, recuperar dados que foram deletados pelo usuário. Isso ocorre porque essas ferramentas não se limitam a analisar apenas o que é visível; elas exploram bancos de dados e registros armazenados na memória do dispositivo.
Desbloqueio de dispositivos
A primeira etapa para a extração de dados é o desbloqueio do celular, que pode ser realizado caso o proprietário forneça a senha ou através de técnicas forenses que buscam contornar o bloqueio. Isso pode ser um processo desafiador, especialmente em modelos mais novos, onde as brechas de segurança são mais difíceis de explorar.
Marcos Monteiro, presidente da Associação Nacional dos Peritos em Computação Forense, explica que o desbloqueio pode ser comparado a um processo de hacking do celular. Contudo, ferramentas como Cellebrite ainda enfrentam limitações com modelos mais recentes, como o iPhone 17, especialmente se o aparelho estiver desligado.
Essas tecnologias, que permitem contornar bloqueios, são restritas a especialistas forenses e podem custar até US$ 50 mil por ano.
Extração de dados
Os softwares de extração conectam-se ao celular via USB e identificam o método mais eficaz para obter informações. Eles operam em um nível mais profundo, explorando vulnerabilidades no sistema operacional, ao invés de apenas nos aplicativos.
A extração de dados pode ser classificada em quatro níveis, desde os mais superficiais até os mais profundos:
- Extração lógica: acessa dados básicos como contatos e registros de chamadas.
- Extração lógica avançada: utiliza privilégios do sistema para obter dados adicionais, incluindo informações temporárias.
- Extração em sistema de arquivos: foca em arquivos ocultos, mas pode exigir contornar mecanismos de segurança.
- Extração física: recupera dados que ainda estão na memória do dispositivo, mesmo que tenham sido excluídos.
“Um mesmo celular pode passar por múltiplas extrações, o que é comum. É crucial, pois diferentes métodos podem recuperar informações distintas”, destaca Monteiro.
A rapidez na extração é vital, já que alguns dados são temporários e podem ser perdidos se o aparelho for desligado.
Análise de dados
Após a extração, os investigadores utilizam programas especializados para organizar e analisar os dados coletados. Uma das ferramentas mais conhecidas é o IPED (Indexador e Processador de Evidências Digitais), desenvolvido pela Polícia Federal, que facilita a busca por informações relevantes em registros de mensagens e outros dados do aparelho.
Esse software é capaz de identificar padrões, como números de CPF e valores monetários, o que pode acelerar investigações. O IPED não ignora nenhum dado armazenado no celular e permite consultas avançadas em informações não organizadas.
Além disso, é possível recuperar
