Polymarket: 150 Usuários Apostam com Informações Exclusivas das Forças Armadas dos EUA

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Estudo revela uso de informações privilegiadas em apostas militares na Polymarket

Um novo estudo aponta que mais de 150 carteiras na plataforma de apostas Polymarket International podem ter utilizado informações privilegiadas das Forças Armadas dos Estados Unidos.

As apostas baseadas em dados militares levantaram preocupações entre autoridades americanas, que temem que o mercado possa fornecer sinais exploráveis por adversários estrangeiros.

A pesquisa foi conduzida pelo Anti-Corruption Data Collective (ACDC), que investigou casos de uso de informações privilegiadas no mercado de previsões. O levantamento revelou apostas realizadas antes de ações militares, incluindo um caso em que um soldado foi acusado de lucrar com informações sigilosas relacionadas à deposição do presidente da Venezuela.

O grupo encontrou uma série de apostas que foram realizadas antes de ações militares dos EUA. Em um dos casos, um soldado norte-americano foi acusado de usar informações sigilosas para apostar na deposição do presidente da Venezuela.

O estudo surge em um contexto de crescente fiscalização sobre o setor de apostas, que tem se expandido rapidamente nos últimos anos.

Representantes da Polymarket foram contatados para comentar sobre o relatório, mas não forneceram respostas. A plataforma, fundada em 2020, afirma ter controles rigorosos e monitorar atividades suspeitas, tendo já encaminhado diversas carteiras às autoridades, incluindo uma relacionada ao caso da Venezuela.

A Polymarket opera com liquidações em blockchain, o que torna as apostas públicas, embora a identidade dos negociadores permaneça anônima.

Para as conclusões do estudo, o ACDC analisou mercados liquidados até 5 de maio, focando em apostas de “baixa probabilidade”, definidas como aquelas de pelo menos US$ 2.500 feitas em resultados com probabilidade de 35% ou menos.

Dentro dessa análise, foram identificadas 556 carteiras, apelidadas de “Orcas”, que demonstraram táticas de apostas precisas e seletivas.

Esses negociadores geralmente abriam uma conta e rapidamente faziam uma aposta de baixa probabilidade altamente bem-sucedida em mercados de nicho — onde pessoas com acesso a informações internas poderiam ter vantagem.

Do total, 152 carteiras mostraram um sucesso excepcional em apostas relacionadas a mercados militares e de defesa, acumulando ganhos de US$ 8 milhões, com uma taxa média de acerto de 97,2%.

Embora lucrar com informações confidenciais do governo seja ilegal, o estudo sugere que as operações das “Orcas” atraem imitações de investidores de grande porte e robôs de negociação automatizada, amplificando os sinais de apostas privilegiadas.

Quando uma “Orca” apostou em uma ação militar dos EUA no Irã, horas antes dos ataques de junho de 2025, um robô e uma “Baleia” fizeram apostas de imitação.

Essas apostas de imitação podem propagar informações privilegiadas, potencializando o risco de exploração. A Polymarket, por sua vez, defende que seu registro público permite um maior escrutínio das atividades de apostas.

O ACDC, que é composto por acadêmicos e investigadores de finanças ilícitas, propõe reformas que incluem a obrigatoriedade de comprovação de identidade para todos os operadores e a retenção de pagamentos de negociações suspeitas até a conclusão de investigações.

Além disso, o grupo argumenta que, para mitigar os riscos de apostas privilegiadas, deve-se considerar a proibição de mercados onde o uso de informações não públicas possa ser mais rentável.

Limitar o perfil de quem pode apostar em mercados de previsão ou depender de investigações das autoridades… não será suficiente, afirmou o instituto.

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