Prejuízo dos Correios ultrapassa R$ 8,5 bilhões em 2025, mais que triplicando em relação ao ano anterior
Correios registram prejuízo recorde de R$ 8,5 bilhões em 2025.
Os Correios enfrentaram um prejuízo líquido de R$ 8,5 bilhões em 2025, um aumento de 226,9% em relação ao saldo negativo de R$ 2,6 bilhões registrado em 2024. Este resultado alarmante reflete a grave crise financeira pela qual a estatal está passando.
A receita bruta da empresa foi de R$ 17,3 bilhões, apresentando uma queda de 11,35% em comparação ao ano anterior. A diminuição na receita teve um impacto significativo sobre a estrutura de resultados da companhia, que está em meio a um plano de reestruturação fiscal e financeira.
Emmanoel Rondon, presidente dos Correios, reconheceu que a situação é desafiadora e que a recuperação dos números financeiros pode levar tempo. Ele destacou a intensa concorrência no setor de e-commerce como um fator que agrava a situação da estatal.
O rombo registrado em 2025 é o maior desde a implementação do Plano Real, em 1994. Rondon afirmou que, embora o resultado tenha sido “diferente” do desejado, foi menos negativo do que as previsões iniciais, que estimavam um prejuízo entre R$ 9 bilhões e R$ 10 bilhões.
O fluxo de caixa da estatal foi severamente afetado, resultando em atrasos nos pagamentos a fornecedores. Rondon enfatizou que a receita dos Correios tem se mantido estável em termos nominais ao longo dos anos, o que demanda uma urgente necessidade de melhorias.
O prejuízo de R$ 8,5 bilhões foi exacerbado pelo provisionamento de obrigações judiciais e pelo aumento dos custos operacionais, que culminaram em um patrimônio líquido negativo de R$ 13,1 bilhões ao final do ano.
PLANO DE REESTRUTURAÇÃO
Como parte da reestruturação, a estatal conseguiu reduzir em 32% os custos variáveis relacionados aos empregados em 2025 em comparação a 2024. Essa redução é um indicativo de que a empresa está buscando maior produtividade e uma gestão de recursos mais eficiente.
Além disso, o prejuízo líquido foi influenciado por decisões estratégicas destinadas a garantir a sustentabilidade futura da companhia, incluindo o reconhecimento de R$ 2,63 bilhões em precatórios e contingências judiciais de gestões anteriores.
O Programa de Desligamento Voluntário (PDV) atraiu 3.748 adesões, o que deve resultar em uma economia recorrente na folha de pagamentos da empresa.
Os Correios também reportaram uma redução de 43% no volume de encomendas em atraso em 2025, em comparação a 2024, e melhorias nos indicadores de satisfação do cliente.
O plano de recuperação fiscal foi anunciado em 29 de dezembro de 2025, com a expectativa de gerar um ganho de R$ 7,4 bilhões anuais, sendo R$ 4,2 bilhões oriundos de cortes de 15.000 funcionários e fechamento de 1.000 unidades de atendimento, além de R$ 3,2 bilhões com o aumento da receita.
