Produção de mel no Rio Grande do Sul se recupera após enchentes de dois anos atrás
Produtores gaúchos de mel registram safra acima da média em 2026.
Em um cenário de recuperação após as enchentes devastadoras de 2024, os apicultores do Rio Grande do Sul estão colhendo uma safra de mel em 2026 que superou as expectativas. A produção estimada é de 11 mil toneladas, representando um aumento de 22% em relação aos anos anteriores à catástrofe climática.
A coordenadora estadual de Apicultura e Meliponicultura da Emater, Laila Ribeiro Simon, destaca que, além de um volume superior, a qualidade do mel colhido neste ano se destaca pela sua composição florística, apresentando características únicas que favorecem o produto local. Este avanço é significativo considerando que a safra anterior, em 2024-2025, rendeu apenas 3 mil toneladas.
Apesar do aumento na produção, o Brasil ainda apresenta um consumo per capita de mel inferior à média mundial. Simon acredita que há um grande potencial a ser explorado, tanto em termos de mercado quanto nas propriedades medicinais do mel.
Nas áreas mais afetadas pelas enchentes, a Emater tem implementado ações de recuperação em colaboração com associações de apicultores. Em regiões como os Vales do Rio Pardo e do Taquari, um projeto com a cooperativa local visa introduzir mil novas colmeias, com recursos do Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento dos Pequenos Estabelecimentos Rurais.
O extensionista rural Vilson Pitton, atuante em Santa Cruz do Sul, informa que o projeto beneficiará ao menos 70 apicultores de 14 municípios, muitos dos quais perderam suas colmeias devido às enchentes. A iniciativa não só ajudará na recuperação, mas também aumentará a rentabilidade da atividade apícola.
Cautela
Patric Arend Luderitz, presidente da Associação de Apicultores de Santa Maria, menciona que a primavera de 2025 foi especialmente favorável, resultando em uma produção que não se via há anos. O clima propício e a introdução de novas rainhas contribuíram para o aumento da produtividade das colmeias.
Embora a produtividade tenha sido excelente entre setembro e dezembro, Luderitz alerta que o Estado não teve uma supersafra devido a pragas que impediram as abelhas de acessar o néctar em algumas regiões. Assim, os apicultores continuam a se reerguer com cautela.
Luderitz também expressa preocupação com o fenômeno El Niño, que pode gerar condições climáticas adversas. Ele aconselha os apicultores a relocarem suas colmeias para áreas mais altas, a fim de minimizar os impactos de possíveis inundações futuras.
A expectativa é de que, nos próximos anos, o Rio Grande do Sul consiga recuperar sua capacidade produtiva de mel, mas isso exigirá preparação e adaptação a eventos climáticos extremos.
