Quarto dia de confronto entre Musk e OpenAI: proibição de apocalipse e o rastro de 38 milhões de dólares
Elon Musk e OpenAI: Conflito e Revelações no Tribunal
O embate entre Elon Musk e a OpenAI alcançou um novo nível de tensão em um tribunal, onde Musk passou três dias no banco das testemunhas. O clima foi marcado por hostilidade, especialmente em relação à defesa da OpenAI e da Microsoft, com revelações significativas sobre as doações que originaram a organização.
No início do depoimento, uma decisão da juíza Yvonne Gonzalez Rogers impediu qualquer menção ao potencial da inteligência artificial causar catástrofes globais. A magistrada enfatizou que o tribunal deve focar em questões contratuais e financeiras, afastando o discurso de “risco existencial” frequentemente utilizado por Musk.
Durante o interrogatório, o advogado da OpenAI, William Savitt, obteve uma confissão crucial de Musk sobre sua nova empresa, a xAI. Quando questionado sobre o uso da tecnologia da OpenAI para treinar o chatbot Grok, Musk admitiu que isso ocorreu “em parte”. Essa declaração levantou questões sobre a credibilidade do bilionário em outros aspectos, como a manipulação do algoritmo da rede social X e sua postura sobre o compartilhamento do código da IA.
Musk também negou que a Tesla esteja buscando a Inteligência Artificial Geral (AGI), uma afirmação que contradiz suas postagens anteriores. Essa contradição chamou a atenção no tribunal, especialmente por parte de Greg Brockman, cofundador da OpenAI, que se preparou para explorar essa inconsistência.
O depoimento de Musk culminou em um clima de tensão, com Savitt trazendo à tona um e-mail de 2017 que sugeria a intenção de Musk de obter 55% de participação na OpenAI, caso a organização se tornasse lucrativa. A reação de Musk foi de irritação, levando a juíza a encerrar sua participação.
Na sequência, Jared Birchall, braço direito de Musk, apresentou detalhes sobre as doações feitas ao longo dos anos. Birchall confirmou que foram cerca de 60 contribuições entre 2016 e 2020, totalizando 38 milhões de dólares. Ele também esclareceu a questão do controle dos recursos, argumentando que uma vez doados, Musk não tinha direito legal sobre seu uso, o que enfraquece a alegação de “roubo de doação”. Além disso, Birchall revelou que Musk liderou uma proposta para adquirir a OpenAI em 2017, com a justificativa de evitar a desvalorização dos ativos.
A Microsoft, representada por Russell Cohen, aproveitou a oportunidade para questionar Musk sobre sua percepção da parceria entre a empresa e a OpenAI. Cohen destacou que Musk estava ciente dessa colaboração desde 2020, deixando a pergunta no ar: por que ele esperou até o sucesso do ChatGPT para considerar a parceria “antiética”?
