Radia Perlman critica a falha da segurança digital ao responsabilizar o usuário na Febraban Tech
Radia Perlman destaca falhas na segurança digital e a importância do design centrado no usuário.
A cientista da computação e engenheira de redes Radia Perlman, reconhecida como a “mãe da internet”, abordou questões cruciais sobre segurança digital durante um painel na Febraban Tech 2026. Ela criticou a prática de transferir a responsabilidade de evitar golpes para os usuários, enfatizando que essa abordagem é inadequada e ineficaz.
Radia, que é pesquisadora sênior e consultora da Dell Technologies, destacou a importância de considerar as limitações humanas no desenvolvimento de sistemas. Criadora do protocolo Spanning Tree, fundamental para redes de computadores, ela expressou sua visão de que os sistemas devem ser projetados para serem intuitivos e acessíveis, ao invés de exigir que os usuários se adaptem a soluções complexas.
A cientista argumenta que a segurança digital não pode ser resolvida apenas com mais treinamento para os usuários. Em seu livro “Network Security: Private Communications in a Public World”, ela defende que as pessoas não devem ser tratadas como componentes que podem realizar tarefas além de suas capacidades. Essa filosofia deve ser aplicada ao design de tecnologia, levando em conta as limitações e necessidades dos usuários.
Radia aponta que problemas de segurança frequentemente surgem de questões como autenticação e identificação, citando exemplos em que funcionários com nomes semelhantes enfrentam dificuldades por conta de sistemas que exigem o uso de iniciais. Ela sugere que informações mais reconhecíveis, como localização e fotos, poderiam facilitar a identificação.
Durante o painel, Radia compartilhou uma experiência pessoal que ilustra sua crítica. Ao tentar renovar sua carteira de motorista, ela acidentalmente clicou em um anúncio que a levou a um site fraudulento, resultando em um vazamento de informações pessoais. Esse incidente demonstra que até mesmo especialistas em tecnologia podem ser vítimas de sistemas mal projetados.
Radia enfatiza que a responsabilidade não deve recair apenas sobre os usuários, mas sim que a segurança deve ser uma parte integral do design dos sistemas. Ela acredita que é fundamental criar soluções que considerem as capacidades e limitações dos usuários.
Ao discutir a computação quântica, Radia alerta contra a ideia de que essa tecnologia será uma solução universalmente mais rápida. Ela esclarece que as máquinas quânticas oferecem vantagens em problemas específicos, mas não são necessariamente mais rápidas em geral. Além disso, destaca que a segurança digital deve se adaptar ao avanço da computação quântica, especialmente no que diz respeito à criptografia.
Radia também aborda a questão da regulação da inteligência artificial, reconhecendo tanto seu potencial quanto seus riscos. Ela defende que desenvolvedores e usuários devem estabelecer limites para evitar aplicações prejudiciais, embora reconheça a dificuldade de alcançar um consenso global sobre o tema.
Para aqueles que estão iniciando na área de tecnologia, Radia recomenda buscar conhecimentos desafiadores e compartilhar esse aprendizado. Ela enfatiza a importância de projetar sistemas que sejam simples de entender e usar, promovendo a inclusão e a acessibilidade para todos, inclusive para aqueles que não têm afinidade com a tecnologia.
