Redução no tempo de laudo de câncer para 8 dias com patologia digital no SUS, A.C.Camargo aborda desafios na ampliação da infraestrutura
Iniciativa do A.C.Camargo Cancer Center revoluciona diagnóstico digital de câncer pelo SUS.
O projeto do A.C.Camargo Cancer Center para o diagnóstico digital de câncer pelo SUS reduziu o tempo médio nacional de liberação de laudos de 30 para apenas oito dias em 2026. A apresentação dos resultados ocorreu durante o Dell Technologies Forum 2026, em São Paulo, destacando os avanços e desafios tecnológicos da iniciativa.
A patologia digital no Brasil tem potencial para gerar até 5 terabytes de imagens médicas diariamente em laboratórios de grande porte. Nesse processo, amostras de tecidos retiradas dos pacientes são digitalizadas, permitindo que médicos analisem as imagens de alta resolução remotamente, facilitando diagnósticos mais rápidos e precisos.
Cada lâmina digitalizada ocupa cerca de 1 gigabyte. Assim, um laboratório que processe entre quatro mil e cinco mil lâminas diariamente pode gerar de 4 TB a 5 TB de dados, evidenciando a necessidade de uma infraestrutura robusta para suportar essa demanda crescente.
Adriana Passos Bueno, coordenadora médica de Inovação e Tecnologia do hospital, enfatizou que a aquisição de scanners é apenas uma parte do processo. É essencial desenvolver um ecossistema e uma infraestrutura que sustentem o fluxo de dados e a qualidade das informações geradas.
A discussão está integrada ao Super Centro Brasil para Diagnóstico do Câncer, um projeto que conecta laboratórios regionais a especialistas, permitindo a análise remota de exames. Essa parceria com o Ministério da Saúde busca otimizar recursos e ampliar o acesso a diagnósticos de qualidade.
O processamento das imagens requer sistemas que garantam a integridade dos dados, pois essas informações são cruciais para identificar características dos tumores e orientar tratamentos. O A.C.Camargo também implementou a informatização em etapas de preparação e pré-análise, assegurando rastreabilidade e controle de qualidade.
Adriana destacou que a qualidade das lâminas é fundamental para a entrega de dados precisos aos médicos. Se a amostra não chega em boas condições ao scanner, isso compromete todo o processo diagnóstico.
A infraestrutura do projeto permite que imagens de laboratórios regionais sejam compartilhadas com patologistas em outras áreas, reduzindo a necessidade de transporte físico das amostras. Isso é especialmente importante em regiões onde os materiais precisam percorrer longas distâncias para chegar a laboratórios especializados.
Até setembro de 2026, o Super Centro Brasil já havia realizado 56,5 mil procedimentos, abrangendo 25 unidades da Federação. A rede conta com três centros regionais de patologia digital, com outros cinco em construção, conforme informações do governo federal.
Durante o evento, foi relatado que exames que anteriormente levavam de 30 a 60 dias agora são concluídos em apenas cinco a dez dias em algumas localidades. A expansão da rede visa aproveitar a infraestrutura existente nos centros regionais para atender municípios vizinhos, sem a necessidade de instalar equipamentos completos em cada unidade de saúde.
Adriana ressaltou que essa expansão não depende apenas da instalação de novos equipamentos, mas da capacidade de integrar as tecnologias já disponíveis e compartilhar recursos entre diferentes localidades, otimizando o atendimento e a eficiência dos diagnósticos.