SAP considera Brasil como líder em cloud e investe no país para impulsionar a empresa autônoma
SAP destaca Brasil como estratégico na transição para empresas autônomas
A SAP encerrou o Sapphire 2026 com uma mensagem clara: a próxima disputa no setor não se limitará à inteligência artificial (IA), mas se concentrará em como conectar dados, contexto de negócios e execução em larga escala nas organizações. A empresa vê o Brasil como um protagonista nesse cenário de transformação.
Em uma conversa com jornalistas brasileiros em Orlando, Rui Botelho, presidente da SAP Brasil, afirmou que o mercado nacional tem características que o posicionam de forma privilegiada para a nova fase da companhia, que se baseia no conceito de “Autonomous Enterprise” ou empresa autônoma.
Botelho destacou as notáveis habilidades de inovação presentes no Brasil. O país conta com uma base significativa de clientes que já utilizam ERP em nuvem, especialmente com soluções como Rise e Grow, o que cria um ambiente propício para a adoção de IA em larga escala.
A SAP, após uma mudança estratégica para a nuvem iniciada em 2021, agora busca reposicionar seu portfólio em torno da IA. Durante o Sapphire deste ano, Christian Klein, CEO da empresa, enfatizou a intenção de ser reconhecida não apenas como uma empresa de software, mas como uma “companhia de IA para negócios”.
Botelho comparou a transformação iniciada em 2021 com o atual movimento em direção à IA. Na época, a mudança de modelo gerou reações negativas entre investidores. Atualmente, a percepção mudou: a nuvem se tornou a base essencial para a próxima camada de inovação.
O novo desafio é gerar resultados com a IA. Segundo o executivo, embora o software não desapareça, a forma de interação mudará completamente. “Não será necessário acessar telas ou realizar transações como hoje. Contudo, os sistemas continuarão a existir”, afirmou.
Assim, o ERP deixa de ser a interface principal e passa a funcionar como uma infraestrutura de execução, dados e governança, enquanto agentes de IA assumem gradualmente a linha de frente da experiência corporativa.
IA sem dados organizados não escala
Apesar do otimismo em relação a agentes, copilotos e automação, a avaliação dos executivos da SAP é que muitas empresas ainda enfrentam um problema fundamental: dados desorganizados.
Botelho argumenta que o maior desafio atual das organizações não é mais experimentar IA, mas sim escalar projetos além das fases de piloto. “O que mais vejo hoje são clientes que realizaram pilotos de IA. Funcionou, mas ao tentar escalar, percebem que faltam dados”, resumiu.
Ele ressalta que a promessa da empresa autônoma depende da capacidade de estruturar uma base consistente de dados corporativos. Sem isso, embora agentes de IA possam gerar ganhos pontuais, carecem do contexto necessário para operar processos complexos de forma integrada.
<pO executivo citou projetos bem-sucedidos conduzidos pela SAP no Brasil, como o da Dexco, que obteve resultados expressivos com IA. A fabricante de painéis de madeira industrializada acelerou o uso de inteligência artificial integrada ao SAP Business Suite, transformando a gestão e a governança de dados de produtos. A incorporação de IA generativa em seus processos centrais automatizou fluxos de trabalho e melhorou a qualidade dos dados, criando uma base fundamental para eficiência operacional e crescimento.
Diferencial da SAP
Durante a conversa, Botelho destacou a grande aposta da SAP para a era da IA no chamado “Knowledge Graph”, uma estrutura desenvolvida para mapear milhões de relações nas aplicações SAP. A proposta visa permitir que agentes de IA não apenas executem comandos, mas também compreendam o contexto de negócios de maneira integrada.
Ele utilizou um exemplo prático para ilustrar o conceito: a venda do mesmo produto a preços diferentes. Uma IA tradicional poderia analisar apenas preço e margem direta. Já uma IA conectada ao contexto operacional seria capaz de cruzar informações sobre logística, tributação, estoque, tempo de produção, perfil do cliente e margem final.
“Talvez vender por dez gere mais margem do que vender por doze, dependendo do contexto”, explicou. É essa camada contextual que a SAP acredita diferenciá-la na atual corrida pela “orquestração de IA”, um campo de interesse para todas as grandes empresas de tecnologia. Segundo Botelho, não basta integrar agentes; é preciso entender profundamente onde estão os dados corretos, como eles se relacionam e quais processos precisam ser executados.
