Serviço é o novo software e suas implicações para as fintechs

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A próxima grande revolução no setor de tecnologia será impulsionada por serviços integrados.

Uma análise recente sobre tecnologia e negócios destaca que a próxima empresa a alcançar a marca de 1 trilhão de dólares será uma que ofereça serviços como software. Essa mudança promete transformar a maneira como fintechs, bancos e empresas de pagamento adquiriram tecnologia nos próximos anos.

A proposta central do estudo é clara e impactante. Enquanto o mercado se adapta ao conceito de copiloto, onde a inteligência artificial atua como uma ferramenta auxiliar, a nova tendência é a do autopiloto, onde as empresas não vendem apenas ferramentas, mas sim soluções completas que abrangem todo o processo.

Uma distinção crucial apresentada é a diferença entre inteligência e julgamento. A inteligência se refere à capacidade de executar tarefas complexas seguindo regras, enquanto o julgamento envolve a habilidade de decidir qual regra aplicar e quando mudar de estratégia, algo que é desenvolvido ao longo do tempo através da experiência.

No campo da engenharia de software, a inteligência artificial já superou o limiar da inteligência. Muitas tarefas de desenvolvimento, como tradução de especificações em código e testes, são tarefas que podem ser automatizadas. No entanto, decisões críticas, como o que construir e quando lançar um produto, ainda dependem do julgamento humano.

Esse padrão, segundo a análise, se repetirá em diversas profissões. O autopiloto se torna vantajoso, pois para cada dólar investido em software, seis são gastos em serviços. Assim, a empresa que captura o orçamento de serviços pode acessar um mercado significativamente maior.

Ao observar o mercado financeiro digital brasileiro, algumas áreas se destacam. Por exemplo, contabilidade e auditoria enfrentam uma escassez de profissionais qualificados, enquanto a demanda por serviços contábeis cresce rapidamente. O fechamento contábil e a conciliação são atividades que requerem inteligência, mas que podem ser otimizadas com soluções automatizadas.

Outro ponto relevante é a gestão de fornecedores. Muitas empresas negociam ativamente apenas com os 20% mais relevantes de seus fornecedores, deixando o restante sem acompanhamento. Um sistema automatizado de aquisição poderia recuperar recursos que atualmente não são aproveitados devido à falta de mão de obra para gerenciar esses contratos.

O modelo do autopiloto inicia-se com tarefas que já são terceirizadas. Isso ocorre porque, ao contratar um fornecedor externo, a empresa já reconhece que aquele trabalho pode ser feito fora de casa, o que facilita a transição para um sistema automatizado.

Na prática, isso significa que, no mercado financeiro digital, a abordagem deve mudar. Em vez de vender uma plataforma de IA para o CTO, o foco deve ser oferecer soluções para o CFO, COO e responsáveis pela conformidade. A tecnologia se torna invisível, e o que realmente importa é o resultado final entregue ao cliente.

Para as empresas que desenvolvem tecnologia atualmente, a mensagem é clara: aquelas que vendem ferramentas estão em desvantagem em relação às que oferecem serviços. A evolução dos modelos de linguagem e inteligência artificial não representa uma ameaça, mas sim uma oportunidade de fornecer resultados mais eficazes a um custo reduzido.

O verdadeiro desafio para quem vende apenas software é que, à medida que esses produtos se tornam commodities, a competição se torna insustentável a longo prazo. O diferencial agora reside na capacidade de integrar tecnologia com execução e conformidade, especialmente no setor financeiro.

Assim, a pergunta crucial para aqueles que estão construindo ou adquirindo tecnologia no mercado financeiro digital brasileiro deve ser reformulada: em vez de perguntar qual software resolve seu problema, a questão deve ser quem pode entregar o resultado necessário de forma mais eficiente e econômica.

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