Stellantis anuncia o fechamento definitivo de uma das maiores fábricas de motores de combustão interna do mundo após 57 anos de operação
Stellantis encerra atividades em fábrica de motores na França, marcando uma transição para a eletrificação.
Fundada em 1969 como uma joint venture entre a Renault e a Peugeot, a fábrica da Stellantis em Douvrin, no norte da França, tornou-se uma das maiores instalações de motores de combustão interna do mundo. Recentemente, a empresa anunciou o fechamento da unidade, encerrando um capítulo significativo na história industrial da região.
A fábrica, que já foi conhecida como Française de Mécanique, encerrará a produção de motores no dia 24 de julho, concentrando-se em operações de usinagem até seu fechamento definitivo em 31 de outubro. A decisão reflete uma mudança estratégica da Stellantis, que está se adaptando às novas demandas do mercado automotivo.
Cerca de 100 funcionários, incluindo 50 efetivos e 50 temporários, enfrentarão a necessidade de realocação. As opções incluem transferências para as fábricas de Hordain e Valenciennes, localizadas na mesma região, ou para a ACC, uma empresa focada em baterias, onde a Stellantis é a principal acionista.
O fechamento da fábrica não é uma surpresa, uma vez que a Stellantis já havia implementado medidas para reduzir sua força de trabalho e havia iniciado a instalação de sua nova fábrica de baterias no antigo complexo da Française de Mécanique. Essa transição sinaliza o fim gradual da era dos motores de combustão interna, à medida que a eletrificação ganha espaço na indústria automotiva.
Um legado de motores icônicos
A fábrica de Douvrin produziu mais de 50 milhões de motores desde sua fundação. Este local era notável por fabricar motores tanto para a Peugeot quanto para a Renault, destacando-se na indústria automobilística francesa.
Entre os motores icônicos produzidos estão o motor “X”, utilizado em modelos como R14 e 104, e o famoso V6 PRV, desenvolvido em colaboração com a Volvo, que equipou diversos veículos de luxo franceses ao longo dos anos.
Além disso, a unidade ficou conhecida pelo “motor Douvrin”, um propulsor de quatro cilindros que equipou diversos modelos da Peugeot e da Renault, incluindo o 505 e o CX. Com o tempo, a produção se concentrou no motor EB2 de segunda geração, mais conhecido como 1.2 PureTech, que enfrentou problemas significativos de confiabilidade.
Recentemente, a Stellantis lançou o motor Turbo 100, uma unidade turbo de três cilindros e 1,2 litro, projetada para atender às futuras normas Euro 7. Essa nova tecnologia representa um passo importante na transição da empresa para um portfólio mais sustentável e alinhado às exigências ambientais contemporâneas.
