Supremo analisa declarações à medida que o caso Master avança
Ministros do STF adotam cautela em meio a investigações sobre fraude no Banco Master.
Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) têm se mostrado discretos em relação às investigações sobre uma fraude bilionária no Banco Master. Essa postura reflete um desconforto palpável, uma vez que o processo envolve figuras públicas e até mesmo membros da própria Corte. Nesse contexto, afastar o tribunal de tais questões tornou-se uma questão de preservação institucional.
O recente embate entre Gilmar Mendes e André Mendonça, durante o julgamento dos habeas corpus de Felipe e Henrique Vorcaro, não quebrou esse silêncio. Apesar da discussão acalorada, não houve comentários significativos dos demais ministros sobre o assunto.
Gilmar Mendes, conhecido por suas críticas à operação Lava Jato, mencionou a operação ao votar pelo afrouxamento das prisões decretadas por Mendonça. Embora não tenha se referido diretamente aos investigadores do caso Master, fez observações sobre a condução dos acordos de colaboração premiada, alertando sobre os riscos de delações feitas sob pressão.
O decano também abordou a questão da exposição pública de informações privadas dos investigados, enfatizando que os magistrados não devem assumir papéis próprios de investigadores. Contudo, a Polícia Federal, nos autos liberados, encontrou indícios de que Felipe e Henrique estariam envolvidos em uma organização criminosa que buscava benefícios para Daniel Vorcaro e o Banco Master.
Após o voto de Gilmar, Mendonça reagiu de maneira incomum. Como relator da investigação, ele caracterizou o caso Master como tendo “contornos de máfia” e contestou a ideia de que as prisões estariam sendo utilizadas como pressão para delações. Também defendeu sua atuação, ressaltando que levou quatro anos no Supremo para decretar sua primeira prisão e que não age sob pressão da mídia.
Apesar da intensidade do julgamento, a tendência é que Mendonça mantenha uma postura reservada. A liberação dos autos para o público e a declaração de que foi procurado por um advogado para discutir uma “delação seletiva” são vistas como ações pontuais por pessoas próximas ao ministro.
Mendonça justificou a liberação dos autos como uma medida necessária para garantir a transparência do debate, especialmente em um momento crítico em que a possibilidade de Kassio Nunes Marques acompanhar Gilmar Mendes poderia favorecer os acusados em caso de empate.
Ele se sente respaldado pelo fato de suas decisões terem sido apoiadas pela Segunda Turma, muitas vezes por unanimidade. Além disso, a percepção de que o caso está sob controle de um colegiado restrito diminui a necessidade de levá-lo ao plenário do Supremo.
