Tecnologia para IA agêntica atinge maturidade, mas empresas ainda hesitam, aponta Marinela Profi do SAS
A inteligência artificial avança para a tomada de decisões, revelando desafios nas organizações.
A inteligência artificial (IA) está passando por uma transformação significativa, movendo-se de um foco na geração de conteúdo para a tomada de decisões. Essa mudança foi destacada durante o SAS Innovate, realizado em Dallas, onde se evidenciou um desalinhamento nas empresas. Apesar dos avanços na capacidade e autonomia da tecnologia, as estruturas organizacionais e de governança ainda não estão adequadas para lidar com essa nova complexidade.
Marinela Profi, líder global de Estratégia de IA Generativa e IA Agêntica do SAS, aponta que o mercado já superou a barreira tecnológica, mas enfrenta desafios em relação à confiança e controle sobre as decisões feitas por sistemas inteligentes. Para ela, o futuro da IA agêntica dependerá não apenas dos algoritmos, mas da maturidade das empresas que buscam implementá-los.
A tecnologia para IA agêntica já é considerada madura, mas as organizações ainda precisam se preparar para sua implementação. Marinela aconselha que as empresas não invistam em IA agêntica se enfrentam problemas de governança de dados e falta de infraestrutura adequada. A tecnologia requer um nível elevado de governança, responsabilização e monitoramento para garantir que as decisões tomadas sejam corretas e compreensíveis.
A qualidade dos dados continua a ser um desafio, especialmente com a crescente utilização de dados não estruturados e linguagem. Marinela enfatiza que a importância da qualidade dos dados não apenas persiste, mas se intensifica, uma vez que as empresas ainda não estão totalmente preparadas para lidar com esse tipo de informação.
Os agentes de IA são mais eficazes em situações que envolvem tarefas repetitivas e decisões frequentes. Eles podem interagir com ferramentas utilizadas por humanos e tomar decisões de forma mais eficiente. O verdadeiro potencial dos agentes não se limita à automação, mas à melhoria das decisões já existentes.
Embora a ideia de autonomia total tenha gerado muito entusiasmo, Marinela observa que o mercado já percebeu que sistemas totalmente autônomos não são viáveis. Sempre haverá a necessidade de intervenção humana, mesmo que mínima. As empresas devem entender onde e como a presença humana se encaixa nesse novo modelo.
O papel do humano nesse cenário será definido por uma combinação de fatores, incluindo negócios, tecnologia da informação e regulamentação. Com a introdução de legislações como o AI Act europeu, a necessidade de envolvimento humano em decisões específicas se torna evidente, alterando o perfil de liderança nas empresas.
Atualmente, algumas empresas ainda adotam uma abordagem superficial em relação à IA, sem conseguir mensurar o valor gerado. Marinela destaca a importância de mudar a métrica de sucesso, focando nos resultados de negócios que se deseja melhorar e na forma de medi-los.
Essa falta de clareza sobre o valor gerado é uma das razões pelas quais muitos projetos de prova de conceito (POCs) não avançam. Muitas vezes, esses projetos são iniciados sem um problema real a ser resolvido, resultando em uma ausência de respostas para questões fundamentais sobre seu propósito e benefícios.
Com o surgimento de mais agentes de IA, espera-se que funcionários comecem a criar suas próprias soluções para tarefas diárias, o que pode impactar a produtividade e a performance. No entanto, as empresas ainda não estão preparadas para monitorar essas novas dinâmicas.
A Shadow AI, ou o uso não regulamentado de inteligência artificial, também é uma preocupação crescente. Existe uma diferença geracional no uso da IA, com os mais jovens tendendo a compartilhar mais suas experiências, enquanto os profissionais mais experientes podem hesitar em fazê-lo. O maior risco é a dependência excessiva da IA, que pode levar a uma diminuição da confiança nas próprias capacidades.
Nos próximos 18 a 24 meses, espera-se um amadurecimento no mercado de IA agêntica, com mais casos reais e uma melhor forma de medir o retorno sobre o investimento. A integração da IA no cotidiano deve avançar significativamente, refletindo o início de uma nova era para a tecnologia.
