Tensão entre EUA e Irã aumenta em meio à intensificação da guerra no Líbano
Trégua entre Irã e EUA enfrenta tensões após ataques de Israel ao Líbano.
A recente trégua de duas semanas entre Irã e Estados Unidos está ameaçada, com Teerã sinalizando a possibilidade de retomar hostilidades após os intensos bombardeios israelenses no Líbano. A situação se agrava em um momento em que as negociações para um cessar-fogo se tornaram cruciais para a estabilidade da região.
Washington e Teerã inicialmente celebraram a trégua, que tinha como objetivo encerrar um conflito devastador no Oriente Médio, que já resultou em milhares de mortes e impactos econômicos globais. No entanto, a fragilidade do acordo se tornou evidente com os ataques aéreos mais severos de Israel ao Líbano, desde que o Hezbollah, grupo xiita apoiado pelo Irã, entrou no conflito em março.
O governo libanês reportou pelo menos 182 mortes e cerca de 900 feridos em decorrência dos ataques, levando à declaração de um dia de luto nacional. Apesar da trégua entre Irã e EUA, Israel argumentou que sua ofensiva contra o Hezbollah não estava vinculada ao cessar-fogo, uma posição reforçada pelo vice-presidente americano, que se prepara para conversas com Teerã no Paquistão.
O presidente do Parlamento iraniano criticou o acordo, afirmando que já houve violações significativas, como os ataques contínuos no Líbano e a entrada de drones no espaço aéreo iraniano.
Pânico em Beirute
Os bombardeios israelenses sem aviso prévio geraram pânico entre os civis libaneses. Relatos de pessoas correndo e fumaça subindo das áreas atacadas foram comuns. Desde o início dos bombardeios, mais de 1.700 vidas foram perdidas no Líbano, conforme informações de autoridades locais.
A Guarda Revolucionária do Irã fez uma declaração contundente, prometendo uma resposta se os ataques israelenses não cessassem. O Hezbollah também reafirmou seu direito de retaliar. O primeiro-ministro de Israel, por sua vez, assegurou que o país está preparado para enfrentar o Irã se necessário, destacando que ainda há objetivos a serem cumpridos.
Além disso, a polícia israelense anunciou a reabertura dos Lugares Santos em Jerusalém, que são sagrados para as três principais religiões monoteístas.
Negociações de alto risco
As tensões aumentam à medida que se aproximam negociações delicadas no Paquistão. O Irã havia concordado em reabrir temporariamente o Estreito de Ormuz, uma via crucial para o transporte de petróleo, após ameaças de retaliação por parte de líderes americanos. Contudo, a via foi fechada novamente, levando a Casa Branca a exigir sua reabertura imediata.
O primeiro-ministro do Paquistão, que atuou como mediador no cessar-fogo, pediu moderação a todas as partes envolvidas. Mesmo com a trégua, houve relatos de novos ataques com mísseis e drones contra aliados dos EUA no Golfo, resultando em danos significativos em infraestruturas no Kuwait e ataques aéreos em outros países da região.
‘Tranquilo’
Enquanto isso, líderes de várias nações europeias e do Canadá pediram um fim rápido e duradouro para a guerra, com o Papa expressando esperança em um novo caminho para a paz. O anúncio da trégua provocou uma queda acentuada nos preços do petróleo e um aumento nas bolsas de valores, refletindo uma reação otimista aos desenvolvimentos.
Contudo, as exigências do Irã relacionadas ao enriquecimento de urânio e o controle sobre o Estreito de Ormuz continuam a ser pontos de discórdia com os EUA. Em Teerã, a atmosfera estava mais calma, com muitos comércios fechados após uma noite de apreensão, enquanto os moradores expressavam um misto de orgulho e preocupação com a situação atual.
