USA Rare Earth finaliza aquisição da Serra Verde em Goiás
USA Rare Earth conclui aquisição da mineradora Serra Verde em Goiás.
A USA Rare Earth anunciou a finalização da compra da mineradora Serra Verde, localizada em Minaçu, Goiás. Esta é a única empresa no Brasil que realiza a exploração comercial de terras raras.
A aquisição, previamente anunciada em abril, recebeu a aprovação dos acionistas da USA Rare Earth em 28 de agosto, por meio de um aumento de capital que viabilizou a transação.
O acordo envolve um pagamento de US$ 300 milhões e 126.849 milhões de ações ordinárias recém-emitidas da USA Rare Earth, resultando em um valor total de aproximadamente US$ 2,8 bilhões (cerca de R$ 14 bilhões), com base na cotação das ações no momento da conclusão do negócio.
A compra faz parte da estratégia da USA Rare Earth de estabelecer uma cadeia de suprimento de terras raras fora da China, que atualmente domina mais de 90% da exploração e transformação desses recursos no mundo.
De acordo com a empresa, a Serra Verde é a única produtora fora da Ásia dos quatro elementos magnéticos essenciais de terras raras. A intenção é combinar a extração de terras raras pesadas da Serra Verde com as capacidades de processamento e fabricação de ímãs da USA Rare Earth.
Ativa desde 2024, a Serra Verde está expandindo suas operações, com a meta de produzir cerca de 4.000 toneladas de TREO (óxidos de terras-raras totais) até o final de 2026. Em uma segunda fase, a produção deve aumentar para 6.400 toneladas anuais. A USA Rare Earth acredita que a Serra Verde tem potencial para dobrar sua produção bruta por meio de expansão.
A Serra Verde agora faz parte do portfólio da USA Rare Earth, que inclui operações de exploração, produção, processamento e refino em diversas localidades, como Estados Unidos, Reino Unido e França.
A aquisição foi motivada pela necessidade de criar uma cadeia de suprimento de terras raras para atender à crescente demanda em setores como energia renovável, inteligência artificial, semicondutores, aplicações aeroespaciais e defesa.
Michael Blitzer, presidente executivo da USA Rare Earth, destacou que a oferta fora da Ásia é limitada, especialmente em relação às terras raras pesadas, e reafirmou o foco da empresa na execução e integração das operações para garantir um fornecimento confiável.
Thras Moraitis, ex-CEO da Serra Verde, foi nomeado presidente da USA Rare Earth e integrará o Conselho de Administração da empresa, substituindo Barbara Humpton. Mick Davis, presidente do Conselho da Serra Verde, também se juntará ao Conselho da companhia norte-americana.
Moraitis ressaltou que a união com a USA Rare Earth acelera a ambição de garantir que os elementos de terras raras pesadas cheguem aos clientes na forma de materiais avançados, tornando-se um elo importante na cadeia de suprimentos integrada.
INVESTIMENTO DO GOVERNO DOS EUA
Em 24 de agosto, o Departamento de Guerra dos Estados Unidos anunciou um investimento de US$ 750 milhões em um veículo financeiro destinado a adquirir a produção de terras raras da Serra Verde, aumentando o valor inicialmente previsto de US$ 500 milhões.
Essa medida é parte de uma iniciativa para assegurar o acesso a elementos críticos de terras raras produzidos pela Serra Verde, com os recursos sendo alocados na US SIIE LLC, uma sociedade de propósito específico que se encarregará da compra dos carbonatos mistos de terras-raras da mineradora.
Este investimento é uma das condições para a conclusão da aquisição da Serra Verde pela USA Rare Earth, sendo separado do preço de compra da mineradora.
CONTROVÉRSIAS SOBRE SOBERANIA
A aquisição da mineradora gerou debates no Brasil sobre questões de soberania e controle estrangeiro sobre recursos minerais estratégicos. Legisladores expressaram preocupações sobre a possibilidade de o Brasil continuar dependendo da exportação de matérias-primas e da importação de tecnologia.
Em um requerimento ao governo, deputados questionaram se a transação não representaria uma transferência de controle de um recurso nacional disfarçada de reorganização societária.
A operação enfrentou críticas de representantes da esquerda e do governo federal, que argumentaram que o negócio comprometeria a soberania brasileira ao entregar uma operação nacional a interesses dos EUA.
No entanto, investigações revelaram que a Serra Verde, que
