Venda de veículos zero-quilômetro no Rio Grande do Sul registra o melhor desempenho em um primeiro semestre desde 2019
Rio Grande do Sul alcança recorde em vendas de veículos zero-quilômetro no primeiro semestre de 2026.
O Rio Grande do Sul obteve, no primeiro semestre de 2026, o melhor resultado em vendas de veículos zero-quilômetro desde 2019. Foram emplacadas 89.144 unidades, que incluem automóveis, comerciais leves, ônibus, caminhões e motocicletas, conforme dados apresentados em um evento recente.
Comparado ao mesmo período do ano anterior, houve um crescimento de 2,65%. No acumulado de janeiro a junho, foram comercializadas 13.560 unidades a mais, o que representa um avanço de quase 130%. Os veículos elétricos, com 7.702 unidades vendidas, superaram pela primeira vez os híbridos, que somaram 5.858 unidades. Em junho, mais de 34% dos automóveis vendidos no Estado foram eletrificados, enquanto a média nacional estava em torno de 20%.
O modelo BYD Dolphin Mini, totalmente elétrico, destacou-se como o segundo veículo mais vendido no mercado gaúcho, com 2.216 unidades, apenas 73 a menos que o líder, o GM Tracker.
Os automóveis de passeio continuam a ser o principal motor do mercado, totalizando 47.127 unidades e apresentando uma alta de 9,3%. Junho registrou um ritmo mensal de vendas bastante positivo, com um crescimento de 25,64%. As motocicletas também mantiveram um crescimento consistente de 6,6%, impulsionadas principalmente pela demanda de entregas e mobilidade urbana. Por outro lado, os comerciais leves e caminhões enfrentaram quedas de 14,7% e 21,7%, respectivamente, devido à crise no agronegócio, embora tenha havido uma leve recuperação em junho, impulsionada pelo programa Move Brasil.
Jefferson Fürstenau, presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores no Rio Grande do Sul, ressaltou a importância desses resultados. Para ele, o semestre representa um marco, com o retorno dos consumidores às concessionárias e a introdução de novas tecnologias no mercado. Ele projeta que o Estado pode finalizar o ano com um crescimento de 5%, alcançando perto de 200 mil veículos vendidos.
No entanto, o ritmo de crescimento no estado foi mais lento que o registrado no cenário nacional, onde o Brasil como um todo avançou 16%, impulsionado principalmente por automóveis e motocicletas. A estiagem e a retração do setor agropecuário afetaram segmentos cruciais, como caminhões e utilitários, evidenciando a dependência da economia regional em relação à produção agrícola.
Além dos fatores econômicos, desafios estruturais também impactam o setor, como os altos custos dos pedágios e as condições precárias das rodovias, que aumentam os custos logísticos e pressionam os preços para o consumidor. A Fenabrave-RS defende a necessidade de concessões com tarifas justas e investimentos em infraestrutura para melhorar a competitividade do setor.
As expectativas para o segundo semestre são otimistas, com a Expointer prevista para oferecer novas oportunidades para marcas e tecnologias. A implementação de novos programas de incentivo, como um possível “Move Brasil 3”, pode sustentar a recuperação do mercado.
