Venezuela Enfrenta Tragédia: Mortes por Terremoto Disparam para 2.295
OMS alerta para cenário de caos na Venezuela e risco de epidemias após terremotos devastadores
O número de mortos pelo terremoto na Venezuela subiu para 2.295, de acordo com informações do governo local. Especialistas indicam que esse número pode ser uma subnotificação, uma vez que mais corpos continuam a ser encontrados nos escombros e os necrotérios enfrentam dificuldades para lidar com a quantidade de vítimas.
Organizações humanitárias alertaram que o sistema de saúde da Venezuela está à beira do colapso, quase uma semana após os fortes terremotos. Muitos hospitais foram danificados e estão sobrecarregados com feridos, enquanto doenças infecciosas começam a se espalhar nas áreas afetadas.
Nos últimos três dias, o número de resgates oficiais caiu drasticamente, passando de 5.380 pessoas salvas nos dois primeiros dias para apenas quatro resgatadas vivas. O período crítico para encontrar sobreviventes após um terremoto é geralmente de 48 a 72 horas, embora algumas pessoas possam sobreviver por mais tempo, dependendo das condições ao redor.
O único sobrevivente resgatado na terça-feira foi uma criança que ficou presa por seis dias sob os escombros. Grupos de voluntários têm realizado resgates em todo o país, frustrados com a lentidão da resposta governamental.
Uma crise humanitária se agrava entre os sobreviventes. Estimativas indicam que o terremoto gerou 1,2 milhão de toneladas de entulho, afetando a saúde de milhares que estão desabrigados e dormindo em condições precárias.
Um sistema de saúde em crise
O sistema de saúde venezuelano, já fragilizado por anos de crise, está sob extrema pressão, com instalações operando além da capacidade para atender à crescente demanda por casos de trauma.
Mais de 15.800 pessoas foram oficialmente afetadas pelos terremotos, refletindo a quantidade de deslocados. Muitos estão dormindo em carros, parques e outros locais, especialmente no estado de La Guaira, que foi o mais atingido.
As condições de vida para os deslocados são alarmantes, com escassez de alimentos e falta de acesso a banheiros e higiene, o que os torna vulneráveis a surtos de doenças evitáveis. A baixa taxa de vacinação da população contribui para o risco de surtos de sarampo e outras infecções.
Os terremotos danificaram ou comprometeram 38 hospitais em todo o país, com a OMS já avaliando várias dessas instalações, algumas das quais não estão mais em funcionamento. A escassez de médicos, muitos dos quais fugiram do país, agrava a situação.
As conclusões revelam um fluxo de pacientes caótico, marcado por sobrelotação e atrasos cirúrgicos, além de falhas nas medidas de biossegurança.
Organizações não governamentais estão se mobilizando na região, montando tendas para fornecer alimentos, medicamentos e itens de higiene para os afetados. Longas filas se formam sob o sol escaldante enquanto as pessoas buscam ajuda.
Luta para compreender o verdadeiro impacto
Com o governo mantendo silêncio sobre as vítimas e sem divulgar um número oficial de desaparecidos, muitos venezuelanos têm recorrido a grupos de WhatsApp e registros digitais para localizar seus entes queridos. Um dos registros indica que pelo menos 43.220 pessoas estão desaparecidas.
As autoridades locais informaram que, até a última atualização, o número oficial de mortos era de 1.943, com 10.571 feridos. No entanto, muitos ainda permanecem sem paradeiro conhecido, e a NASA estima que cerca de 59.000 edifícios foram danificados ou destruídos.
O número de pessoas afetadas pelos terremotos pode chegar a centenas de milhares. O UNICEF também divulgou que 680 mil crianças necessitam de assistência humanitária em todo o país, evidenciando a gravidade da situação.
