Vice de Trump e premiê do Irã dão início a negociações cruciais na Suíça sobre programa nuclear
Negociações entre Irã e EUA se intensificam em Zurique após três meses de conflito.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammed Ghalibaf, chegou a Zurique, na Suíça, para participar de negociações com os Estados Unidos sobre o programa nuclear iraniano, em um contexto de recente acordo para o fim de um conflito que durou mais de três meses.
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, acompanhado de Jared Kushner e Steve Witkoff, também está presente nas discussões. A presença de figuras de alto escalão de ambos os lados demonstra a seriedade e a urgência das tratativas que ocorrem neste domingo.
Do lado iraniano, a delegação inclui o chanceler Abbas Araqchi, o negociador-chefe e presidente do parlamento, Mohammad Bagher Qalibaf, e o governador do Banco Central, Abdolnaser Hemmati. A participação de líderes influentes sugere um esforço concentrado para alcançar um entendimento duradouro.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, expressou otimismo quanto ao progresso nas negociações, afirmando que espera que as partes envolvidas consigam avançar de forma bem-sucedida. Um memorando de entendimento assinado recentemente estabelece um prazo de 60 dias para um acordo final, focando no programa nuclear e na suspensão das sanções econômicas.
A chancelaria iraniana anunciou que, além das negociações em Zurique, haverá discussões técnicas entre representantes iranianos e americanos, com a participação de mediadores do Catar e Paquistão, o que pode aumentar as chances de um acordo eficaz.
Protocolo ‘em risco’
O porta-voz da diplomacia iraniana alertou que o protocolo firmado estará “em risco” se suas cláusulas não forem implementadas rapidamente, em referência à crescente tensão no Líbano, onde Israel e Hezbollah estão em conflito.
O comando militar do Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz como resposta a ataques israelenses no sul do Líbano, considerando-os uma violação dos termos do acordo com os EUA. Essa decisão pode ter sérias implicações para o comércio global de petróleo e gás, já que o estreito é uma rota crucial para o transporte dessas commodities.
O fechamento do estreito foi uma medida drástica, com o comando militar afirmando que novas ações serão planejadas caso a agressão continue. Por sua vez, o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, já havia ameaçado implementar um pedágio na região se não houvesse um acordo satisfatório.
O Estreito de Ormuz já havia sido bloqueado pelo Irã durante a guerra, afetando os mercados de energia globalmente. Recentemente, o tráfego marítimo havia sido retomado, mas a nova escalada de tensões pode reverter esse progresso.
As forças armadas de Israel receberam ordens para interromper os combates no sul do Líbano, embora a situação continue crítica, com ataques aéreos registrados em várias localidades e um número crescente de vítimas. Desde o início do conflito em março, o número de mortos no Líbano já ultrapassou quatro mil, segundo dados oficiais.
Apesar do cessar-fogo acordado, a situação no Líbano permanece volátil, com múltiplas trégua que não duraram, aumentando a complexidade das negociações em andamento entre Irã e EUA.
