Vilarejo chinês realiza testes de vigilância da população
Comunidade nas Ilhas Salomão enfrenta vigilância e controle social em experimento chinês.
Uma pacata comunidade das Ilhas Salomão se transformou em um campo de experimentação de um sistema de vigilância e policiamento forte, impulsionado pela influência geopolítica da China. A situação começou quando os moradores da vila de Fighter One solicitaram auxílio para lidar com jovens problemáticos que se reuniam nas noites locais.
A resposta da polícia chinesa foi a proposta de um sistema de monitoramento comunitário que envolve a coleta de dados pessoais, impressões digitais e vigilância entre vizinhos. Essa iniciativa rapidamente suscitou preocupações acerca da privacidade, controle social e a expansão do modelo de segurança chinês na região.
O projeto em Fighter One baseia-se na chamada “Experiência Fengqiao”, um modelo que remonta à era de Mao Tsé-Tung e que foi revitalizado pelo governo de Xi Jinping. O objetivo é transformar os próprios cidadãos em uma rede de vigilância permanente, incentivando-os a monitorar atividades suspeitas, registrar informações sobre vizinhos e compartilhar dados com as autoridades.
A proposta inclui a criação de fichas detalhadas com informações pessoais dos moradores, além da coleta de dados biométricos, como impressões digitais. Esse modelo se assemelha a sistemas de controle social já implementados na China, especialmente em regiões sensíveis como Xinjiang, onde o uso de câmeras com inteligência artificial e bancos de dados biométricos permite a supervisão constante dos cidadãos.
Embora o governo alegue que tais medidas visam combater crimes e manter a ordem pública, críticos argumentam que esses sistemas servem como ferramentas de controle político e repressão social. Por isso, a ideia de aplicar esse modelo em Fighter One gerou desconforto imediato entre políticos locais e analistas, que temem que as Ilhas Salomão se tornem um campo de testes para tecnologias autoritárias.
A influência chinesa na região já alterou a geopolítica local. Desde 2019, as Ilhas Salomão se tornaram um ponto estratégico para a China, especialmente após a ruptura das relações diplomáticas com Taiwan. Desde então, a China tem financiado obras, enviado equipamentos, investido em mineração e integrado policiais chineses às forças de segurança locais.
Após os violentos protestos de 2021 em Honiara, a capital, o governo local firmou um pacto de segurança com a China. Documentos vazados indicam que a China pode enviar policiais e forças de segurança às ilhas sempre que houver ameaças à ordem social. Além disso, o país tem doado equipamentos antimotim, veículos policiais e sistemas de treinamento para a polícia local, enquanto continua a exportar seu modelo de segurança para outras nações na África, Ásia e Pacífico.
