Wargaming sob acusações de ser pró-Rússia: fãs do Ocidente se surpreendem com apoio real da empresa no conflito entre Rússia e Ucrânia
Wargaming enfrenta consequências drásticas após a invasão da Ucrânia, separando-se da Rússia e Bielorrússia.
Fãs de World of Tanks e World of Warships frequentemente fazem piadas sobre a suposta parcialidade da Wargaming em favor da Rússia, especialmente quando a empresa introduz novas linhas de veículos soviéticos. Contudo, essa percepção ignora a realidade da postura da desenvolvedora em relação à Rússia.
A Wargaming, com sede em Minsk, na Bielorrússia, tem se oposto ativamente às ações do governo russo desde 2022, quando a invasão da Ucrânia começou. Desde então, a empresa tem sido alvo de críticas e desinformações, mas a alegação de que a Wargaming é uma empresa pró-Rússia é infundada.
Após o início da guerra, a empresa demitiu seu diretor criativo por apoiar publicamente a invasão e, em um gesto de solidariedade, doou um milhão de dólares à Cruz Vermelha Ucraniana, apenas dois dias após o início do conflito. Essa ação marcou uma clara ruptura com qualquer simpatia anterior pela Rússia.
Em abril de 2022, a Wargaming cortou todos os laços com a Rússia e a Bielorrússia após ser rotulada como “empresa hostil” pelo governo bielorrusso. O estúdio foi forçado a vender seus ativos ao empresário russo Malik Khatazhayev, o que resultou em perdas significativas, totalizando 240 milhões de euros.
Após essa separação, surgiram duas versões distintas do jogo: World of Tanks, que continuou fora da Rússia e da Bielorrússia, e um clone chamado Mir Tankov, desenvolvido por Khatazhayev, que não recebe atualizações e não está mais associado à Wargaming.
Em outubro de 2023, a Wargaming lançou uma campanha beneficente que arrecadou mais de um milhão de dólares para unidades móveis de terapia intensiva na Ucrânia, reforçando sua posição contrária à guerra. Por outro lado, a Lesta Games, que desenvolve o clone, se distanciou da iniciativa, alegando neutralidade política.
Em junho de 2025, um tribunal de Moscou declarou Kislyi e Khatazhayev como membros de uma organização extremista, o que implica a proibição de operar na Rússia e o confisco de bens. Essa classificação é semelhante à aplicada à Meta, destacando a severidade das consequências legais em andamento.
Para Kislyi, que não tem ativos na Rússia, essa decisão é mais simbólica, enquanto a Lesta Games enfrenta um futuro incerto devido à nova classificação. Atualmente, World of Tanks opera com cerca de 9 milhões de jogadores ativos, um número bem abaixo dos 75 milhões de contas registradas em 2013, resultado de uma combinação de fatores, incluindo a perda de mercados importantes e o impacto da guerra.
