Xi e Trump se encontram para discutir divergências bilaterais
Encontro entre Xi Jinping e Donald Trump aborda divergências entre EUA e China.
O presidente da China, Xi Jinping, recebe nesta quinta-feira em Pequim o presidente americano, Donald Trump, para discutir as diversas divergências que existem entre as duas potências. Os temas incluem relações comerciais, a situação do Irã e a questão de Taiwan.
A cúpula terá início às 10h locais, no Grande Salão do Povo, localizado na Praça da Paz Celestial, que é o centro do poder comunista na capital chinesa.
Apesar das tensões nas relações, Xi Jinping oferecerá um banquete em homenagem a Trump na noite da cúpula e, na sexta-feira, compartilhará chá e almoço com ele. No entanto, esses gestos de cordialidade podem não ser suficientes para resolver os desacordos existentes entre os dois líderes.
Esta visita, que foi adiada devido à guerra no Oriente Médio, marca a primeira vez que um presidente americano visita a China desde a viagem de Trump em 2017.
Naquela ocasião, Trump e sua esposa, Melania, foram recebidos com honras na majestosa Cidade Proibida. Contudo, pouco tempo depois, o presidente americano impôs tarifas e restrições sobre produtos chineses, iniciando uma guerra comercial que impactou a economia global.
Após retornar à Casa Branca em 2025, Trump reiniciou sua ofensiva tarifária, levando a um conflito comercial que só foi amenizado com uma trégua em outubro.
‘Genial’
O futuro das relações comerciais entre as duas maiores economias do mundo será um dos principais tópicos da cúpula, que foi precedida por negociações comerciais entre delegações dos dois países na Coreia do Sul.
Trump expressou otimismo em relação ao encontro, afirmando que seria “genial”. Ele também mencionou que espera ser recebido por Xi com um “grande abraço”.
Entre as prioridades dos Estados Unidos está a busca de acordos na área agrícola e a confirmação de um pedido significativo de aviões da Boeing. Trump trouxe consigo executivos de empresas notáveis, como Elon Musk, Tim Cook e Jensen Huang.
Durante o voo para a China, Trump declarou que pressionaria Xi para que o mercado chinês se abrisse mais para as empresas americanas. Os Estados Unidos acusam a China de se beneficiar de um superávit comercial e de práticas desleais, incluindo violações de propriedade intelectual.
Além disso, existem outros pontos de atrito, como o fornecimento de terras raras, semicondutores, a situação de Taiwan e o conflito com o Irã, que se intensificou desde fevereiro.
China pede ‘estabilidade’
O governo americano espera que Trump convença a China, que é a principal importadora de petróleo e parceira do Irã, a usar sua influência para resolver a crise no Golfo. O presidente já tentou interromper as compras chinesas de petróleo iraniano por meio de sanções, uma ação que foi condenada por Pequim, mas que não resultou em uma crise diplomática aberta.
Trump mencionou que teriam uma longa conversa sobre o Irã, mas afirmou que não precisa de ajuda de Pequim. Por outro lado, seu secretário de Estado, Marco Rubio, expressou a esperança de que a China desempenhe um papel mais ativo para que o Irã mude suas ações.
O fechamento quase total do Estreito de Ormuz devido aos bloqueios iraniano e americano afeta diretamente os interesses chineses. Na véspera da cúpula, a China reiterou a necessidade de “mais estabilidade” no cenário internacional.
Embora haja a expectativa de anúncios comerciais, especialistas duvidam que a cúpula consiga reduzir significativamente a rivalidade entre as duas potências. Outro ponto de atenção será a questão de Taiwan, que possui um governo e Exército próprios, mas é considerado pela China parte de seu território.
Apesar de não reconhecer oficialmente as autoridades taiwanesas, os Estados Unidos são seu principal aliado e fornecedor de armamentos.
