Bolsonaro afirma que segurança levou arma para reparar equipamento

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Depoimento de Jair Bolsonaro sobre arma apreendida gera repercussão na política brasileira.

O ex-presidente Jair Bolsonaro prestou depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal a respeito de uma arma registrada em seu nome, que foi apreendida durante uma blitz em Brasília. O advogado do ex-presidente, Paulo Cunha Bueno, informou que Bolsonaro reafirmou suas declarações anteriores ao Supremo Tribunal Federal (STF) e mencionou que havia solicitado a um militar responsável por sua segurança que realizasse um reparo na arma.

Os policiais chegaram à residência de Bolsonaro por volta das 14h30 e permaneceram no local por cerca de 40 minutos, onde o ex-presidente cumpre prisão domiciliar. O depoimento, segundo o advogado, durou apenas cinco minutos.

Na semana anterior, um militar que faz a segurança de Bolsonaro foi abordado em uma blitz a 33 quilômetros de sua residência, portando uma Glock de 9 mm, registrada em nome do ex-presidente. A Polícia Civil, então, iniciou um inquérito para investigar a posse da arma pelo segurança e solicitou ao ministro do STF, Alexandre de Moraes, que ouvisse Bolsonaro por videoconferência nesta semana.

O ministro autorizou a coleta do depoimento, mas determinou que a oitiva fosse realizada presencialmente, em conformidade com a decisão judicial que proíbe o ex-presidente de usar dispositivos eletrônicos.

Reparo

A defesa de Bolsonaro enviou um ofício ao STF, argumentando que o ex-presidente entregou a arma ao segurança após identificar um defeito no percussor. Segundo a defesa, Bolsonaro pediu ao militar que consertasse o equipamento.

O advogado Paulo Cunha Bueno declarou que acompanhou o depoimento de Bolsonaro e que o ex-presidente esclareceu todos os pontos relacionados ao incidente. Ele ressaltou que a arma estava devidamente registrada e que, na ausência de uma ordem de cancelamento do registro, deveria permanecer na residência de Bolsonaro.

O advogado também afirmou que, ao verificar a arma, Bolsonaro notou o defeito e solicitou ajuda ao segurança. Ele enfatizou que não houve intenção de descumprir nenhuma norma legal e expressou confiança de que o inquérito em andamento na Polícia Civil do Distrito Federal será arquivado em breve.

Prisão

O desfecho do caso da arma apreendida será crucial para a avaliação de Moraes sobre a continuidade da prisão domiciliar de Bolsonaro. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) solicitou ao ministro que o ex-presidente seja enviado de volta a um estabelecimento prisional.

Bolsonaro está em prisão domiciliar desde março, após ser diagnosticado com pneumonia. Após a alta hospitalar, Moraes autorizou sua transferência do 19.º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal para a prisão domiciliar, atendendo a um pedido humanitário da defesa, que alegou a necessidade de cuidados médicos contínuos incompatíveis com o ambiente prisional.

Saúde

O prazo de 90 dias da prisão domiciliar temporária concedida ao ex-presidente se encerra amanhã. Um boletim médico divulgado na última sexta-feira indicou uma melhora no estado de saúde de Bolsonaro, com avanços no tratamento do ombro operado e diminuição das crises de soluço, além de uma maior disposição física.

Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma do Supremo a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe e outros crimes relacionados a uma trama golpista.

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