Eduardo Leite critica Caiado e classifica decisão do PSD como posição de conveniência

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Governador Eduardo Leite critica decisão do PSD em lançar Ronaldo Caiado como pré-candidato à presidência.

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, expressou sua insatisfação com a escolha do PSD de apoiar o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como pré-candidato à Presidência da República. A decisão foi anunciada em coletiva pelo presidente do partido, Gilberto Kassab, em São Paulo.

Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Leite afirmou estar “desencantado” com a escolha, argumentando que a decisão do partido pode intensificar a polarização política no Brasil. Ele declarou: “Com toda franqueza, a decisão tomada pelo partido tende a manter esse ambiente de polarização radicalizada que tanto limita o nosso país.”

Leite, que se posiciona como um defensor de um “centro liberal”, acredita em uma abordagem diferente para a política. Ele destacou a importância de um compromisso com a conciliação e o diálogo, afirmando: “um centro liberal, democrático de verdade, não como uma posição de conveniência.” Apesar de sua insatisfação, ele reafirmou que não pretende deixar o partido e que sua trajetória política continuará.

A escolha do PSD gerou descontentamento entre os apoiadores de Leite. A bancada estadual e federal do partido no Rio Grande do Sul publicou uma carta-manifesto em apoio ao governador, afirmando que “Escolhemos o PSD porque escolhemos Eduardo Leite.” Os parlamentares garantiram que sua unidade é “inabalável” diante das decisões da instância nacional do partido.

Enquanto isso, o governador do Paraná, Ratinho Junior, que também era um possível candidato do PSD, declarou apoio à candidatura de Caiado. Em suas redes sociais, ele destacou que a escolha representa “o compromisso do partido com a democracia” e enfatizou que a legenda apostou em um gestor “aprovado, com trabalho reconhecido nacionalmente.”

Ratinho Junior havia desistido da corrida presidencial na semana anterior, citando pressões familiares e a necessidade de garantir um sucessor no Paraná, o que abriu espaço para o senador Sérgio Moro em seu estado.

No anúncio oficial de sua candidatura, Caiado mencionou que, se eleito, seu primeiro ato será conceder “anistia ampla geral e irrestrita”, o que poderia beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em resposta às críticas de Leite, Caiado reconheceu sua competência e a dificuldade de governar em tempos de crise, afirmando que “você não governa radicalizando com 88% de aprovação.”

A decisão do PSD também revelou divisões internas na sigla. Lideranças do partido no Nordeste afirmaram que a escolha de Caiado não deve afetar as alianças regionais, indicando que o governador encontrará desafios para consolidar apoio na região, onde muitos parlamentares já se alinharam ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O presidente do PSD, Gilberto Kassab, se comprometeu a permitir que deputados e senadores do Nordeste apoiem outros candidatos, preservando assim acordos locais.

Com a definição do PSD, Caiado renunciará ao governo de Goiás para se dedicar à campanha presidencial, com o vice-governador Daniel Vilela assumindo seu lugar. Por sua vez, Leite permanecerá no governo do Rio Grande do Sul e descartou a possibilidade de concorrer ao Senado, afirmando que sua jornada política não termina com uma decisão partidária. “Se não for agora, vai ser logo ali adiante,” concluiu o governador gaúcho.

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