EUA condenam expulsão de russo suspeito de espionagem pelo Brasil

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Estados Unidos expressam preocupação com a expulsão de espião russo pelo Brasil.

O governo dos Estados Unidos manifestou sua preocupação com a recente decisão do Brasil de expulsar Sergey Vladimirovich Cherkasov, identificado como espião do serviço de inteligência militar russo. A medida foi anunciada na sexta-feira, 10 de julho de 2026.

Em uma declaração oficial, o Departamento de Estado dos EUA classificou a expulsão como um enfraquecimento do compromisso conjunto entre os países na luta contra interferências estrangeiras. O governo norte-americano enfatizou a importância de manter a integridade das instituições democráticas e proteger a segurança coletiva.

O governo dos EUA também solicitou que o Brasil considere as implicações dessa decisão e colabore com Washington para responsabilizar indivíduos que possam ameaçar a segurança nacional. A nota enviada pela administração americana expressou profunda preocupação com a saída de uma pessoa com vínculos conhecidos com os serviços de inteligência da Rússia.

A expulsão de Cherkasov foi publicada no Diário Oficial da União na segunda-feira, 6 de julho. Segundo a portaria, a expulsão será efetivada após o cumprimento da pena ou mediante liberação do Poder Judiciário. Além disso, a decisão estabelece que Cherkasov não poderá retornar ao Brasil por um período de 30 anos.

Cherkasov está preso desde 2022 em uma penitenciária federal em Brasília, onde cumpre uma pena de cinco anos por falsidade ideológica. Embora tenha sido inicialmente condenado a 15 anos por uso de documentos falsos, sua pena foi reduzida. Ele também enfrenta investigações por espionagem, lavagem de dinheiro e corrupção, negando ser espião, assim como a Rússia, que refutou as acusações.

HISTÓRICO DO CASO

Cherkasov foi preso após ser deportado pela Holanda, onde tentava entrar com documentos falsos brasileiros sob o nome de Victor Muller Ferreira para estagiar no Tribunal Penal Internacional em Haia. As autoridades holandesas alegaram que ele trabalharia para o serviço de inteligência militar da Rússia, com o acesso ao tribunal sendo considerado valioso devido às investigações sobre possíveis crimes de guerra cometidos pela Rússia na Ucrânia.

De acordo com o FBI, Cherkasov começou suas atividades no Brasil em 2012 utilizando a identidade falsa de Victor Muller Ferreira. Posteriormente, ele se mudou para os Estados Unidos, onde estudou relações internacionais e tentou se aproximar de instituições acadêmicas e políticas.

Em maio de 2025, a Polícia Federal do Brasil desmantelou uma rede de espionagem russa que utilizava documentos brasileiros falsos. A investigação revelou que pelo menos nove agentes russos operavam com identidades forjadas, utilizando o Brasil como base para criar identidades confiáveis e facilitar suas operações em outros países.

A questão do destino de Cherkasov gerou um embate entre Rússia e Estados Unidos. Moscou solicitou sua extradição, alegando que ele enfrentaria acusações de tráfico de drogas, enquanto Washington pediu sua entrega, acusando-o de atuar como agente estrangeiro e de fraudes financeiras. A recente decisão do governo brasileiro se refere à expulsão, não à extradição, e não especifica o país para o qual Cherkasov será enviado.

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