EUA e Irã assinam acordo para pôr fim ao conflito no Oriente Médio

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Estados Unidos e Irã assinam acordo para encerrar conflito no Oriente Médio

Os Estados Unidos e o Irã firmaram um acordo histórico que visa pôr fim à guerra no Oriente Médio, com compromissos significativos por parte de Teerã em relação ao seu programa nuclear.

O presidente americano, Donald Trump, oficializou a assinatura do acordo durante um jantar com o presidente francês Emmanuel Macron no Palácio de Versalhes, após a cúpula do G7. O Irã, que já havia assinado o documento eletronicamente, indicou que uma cerimônia formal na Suíça pode não ser necessária, considerando que a implementação do acordo é a prioridade.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, enfatizou a importância do acordo e a necessidade de sua implementação imediata, ressaltando que a assinatura eletrônica torna uma cerimônia desnecessária.

Memorando de entendimento

O memorando estabelece um cessar-fogo após uma escalada de violência que começou em fevereiro, envolvendo ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, resultando em inúmeras mortes. O acordo também abrange a situação no Líbano, onde o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, se envolveu no conflito.

Naim Qasem, secretário-geral do Hezbollah, declarou que o acordo representa uma vitória significativa para o Irã e pediu que a situação fosse utilizada para expulsar Israel do Líbano. O Hezbollah se envolveu no conflito ao disparar foguetes contra Israel em apoio ao Irã.

O líder do Hezbollah também instou o governo libanês a interromper as negociações com Israel, que começaram sob a mediação dos Estados Unidos. O presidente libanês, Joseph Aoun, havia afirmado que essas negociações são independentes do acordo entre os EUA e o Irã.

Estreito de Ormuz

O acordo prevê a suspensão imediata das sanções dos EUA sobre a venda de petróleo iraniano e o bloqueio a portos iranianos. Washington se compromete a levantar todas as sanções caso um acordo definitivo seja alcançado após um período de 60 dias de negociações.

Durante esse período, os dois países discutirão um mecanismo para gerenciar as reservas de urânio enriquecido do Irã, que são o foco das preocupações americanas sobre o potencial desenvolvimento de armas nucleares. A supervisão será realizada pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

O Irã deverá restaurar o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz dentro de 30 dias, uma área crucial para o comércio global. No entanto, o negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o estreito não voltará à situação anterior à guerra, e que o Irã cobrará um pedágio por serviços relacionados ao tráfego marítimo.

O memorando também estipula que o Irã garantirá a passagem segura de navios comerciais pelo estreito por um período de 60 dias, sem cobranças.

Além disso, os Estados Unidos se comprometerão a facilitar um fundo de 300 bilhões de dólares para a reconstrução e desenvolvimento econômico do Irã, sem envolvimento financeiro direto dos EUA.

‘Oportunidade histórica’

Os líderes do G7 celebraram o acordo como uma “oportunidade histórica” para impedir que o Irã desenvolva armas nucleares e abordar as ameaças relacionadas às suas atividades na região.

A China destacou a importância de que todas as partes respeitem o acordo e evitem interferências externas. O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, enfatizou a necessidade de uma gestão prudente da navegação no Estreito de Ormuz, dada a sua importância para a economia global.

As cotações do petróleo reagiram à assinatura do acordo, com um aumento momentâneo de 5%, embora o barril de Brent tenha encerrado o dia próximo dos 80 dólares, refletindo a volatilidade do mercado diante das incertezas políticas.

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