Justiça decide pela manutenção da prisão de entregadores implicados na morte de ciclista
Justiça mantém prisão de envolvidos na morte de ciclista em Copacabana
A Justiça do Rio de Janeiro decidiu, em audiência de custódia realizada no último domingo, manter a prisão temporária de dois entregadores por aplicativo, Felipe Eduardo dos Santos Silva, de 23 anos, e Ailton José da Silva, de 24 anos. Eles estão envolvidos na morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos, que foi brutalmente agredido após ser confundido com um ladrão de bicicleta.
A audiência de Felipe Silva foi presidida pela juíza Laura Noal Garcia, que afirmou que o mandado de prisão estava regular e válido. A magistrada determinou que a prisão fosse comunicada à 1ª Vara Criminal da Capital.
Já no caso de Ailton da Silva, a sessão foi conduzida pelo juiz Rafael de Almeida Rezende, que reiterou que a prisão temporária, decretada por 30 dias, estava dentro do prazo. O juiz também ordenou que o cumprimento da prisão fosse informado ao juízo natural do processo.
Além dos entregadores, os seguranças de rua Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias também tiveram suas prisões temporárias mantidas em audiência de custódia no sábado anterior.
A morte de Cláudio Landeiro ocorreu na madrugada do dia 12 de agosto, quando ele foi agredido com um porrete e chutes na cabeça e nas costas. O ciclista havia saído de casa em Botafogo por volta das 22h30, utilizando a bicicleta da irmã, e parou em uma loja de conveniência em Copacabana para comprar um cigarro.
Após sair da loja, Cláudio foi abordado pelo segurança Davi Santos Machado, que o interpelou sobre a bicicleta. A vítima, que enfrentava problemas psicológicos, não conseguiu explicar que a bicicleta não era sua, o que levou a uma escalada de violência. Davi tomou a bicicleta à força e começou a agredir Cláudio.
Desprovido da bicicleta, Cláudio tentou se afastar e se sentou na portaria de um prédio nas proximidades. Nesse momento, ele foi cercado por Davi e pelos dois entregadores. Em um vídeo de segurança, é possível ver que Cláudio recebeu 57 golpes de porrete, a maioria na cabeça, além de chutes.
Após a agressão, os atacantes deixaram Cláudio caído no chão. Cerca de 30 minutos depois, uma ambulância chegou e o levou ao Hospital Miguel Couto, onde ele não resistiu aos ferimentos.
Em seu depoimento, Davi Machado não conseguiu justificar a brutalidade de sua ação e afirmou não ter certeza se a bicicleta era furtada. Ele filmou Cláudio caído e compartilhou as imagens com outros, enquanto Jorge Luiz, embora não tenha participado da agressão, não prestou socorro à vítima.
A polícia está à procura de um quinto homem que também esteve no local e agrediu Cláudio, desferindo um chute em sua cabeça. Este indivíduo ainda não foi identificado e continua foragido.
Todos os envolvidos responderão por homicídio qualificado, caracterizado por motivo fútil, de forma cruel e sem possibilidade de defesa por parte da vítima.