Mendonça ordena retorno de Vorcaro à Papudinha
Ministro do STF determina retorno de Daniel Vorcaro ao Complexo Prisional da Papuda.
A decisão do ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, resultou na transferência do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, para uma cela na Papudinha, em Brasília. Essa medida ocorre enquanto as negociações para uma delação premiada permanecem paralisadas.
Vorcaro, investigado por liderar fraudes no Sistema Financeiro Nacional, deixará a Superintendência da Polícia Federal, onde estava detido, uma vez que não há previsões para o avanço das tratativas de delação. A avaliação é de que sua permanência na carceragem da PF não é mais necessária.
O pedido para a transferência foi feito pela Polícia Federal ao gabinete do ministro Mendonça, que também recebeu a informação de que a segunda proposta de delação apresentada pela defesa de Vorcaro foi rejeitada em 11 de junho. A Procuradoria Geral da República também decidiu não prosseguir com a negociação, citando a falta de “provas robustas”.
Daniel Vorcaro apresentou duas propostas de delação, passando por mudanças na equipe de defesa, que inicialmente era liderada por Roberto Podval, depois por José Luis Oliveira Lima, e atualmente conta com Sérgio Leonardo.
COMPLIANCE ZERO
As investigações sobre as fraudes no Banco Master fazem parte da operação Compliance Zero, autorizada pela 10ª Vara Federal de Brasília em novembro de 2025. A primeira fase da operação resultou na prisão temporária dos principais executivos da instituição, que foi liquidada pelo Banco Central. Em seguida, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região permitiu o uso de tornozeleira eletrônica e o retorno dos investigados para suas residências.
O caso foi transferido para o STF em dezembro de 2025, sob a relatoria do ministro Dias Toffoli, que autorizou a segunda fase em janeiro de 2026. Contudo, Toffoli deixou a relatoria em fevereiro, e André Mendonça assumiu o caso. Vorcaro foi novamente preso no início de março e está detido na Superintendência da PF. Sua proposta de delação está em análise pelo ministro do Supremo, o que pode levar várias semanas.
Eis as fases da operação:
- 1ª fase (18.nov.2025) – Vorcaro foi preso no dia anterior à deflagração da operação, quando tentava deixar o Brasil. A ação cumpriu mandados de prisão e busca em vários estados. Ele foi solto em 29 de novembro.
- 2ª fase (14.jan.2026) – A PF realizou buscas em endereços ligados a Vorcaro, apreendendo bens e bloqueando valores superiores a R$ 5,7 bilhões para investigar o uso de fundos fraudulentos.
- 3ª fase (4.mar.2026) – Vorcaro foi novamente preso, acusado de intimidar adversários e de pagar propina a funcionários do Banco Central. Um colaborador seu tentou suicídio sob custódia da PF.
- 4ª fase (16.abr.2026) – A operação resultou na prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, por suspeitas de envolvimento em operações sem lastro com o Banco Master.
- 5ª fase (7.mai.2026) – O senador Ciro Nogueira foi alvo de investigação por supostos pagamentos de propina relacionados a Vorcaro, com bloqueio de R$ 18,85 milhões.
- 6ª fase (14.mai.2026) – A PF cumpriu mandados de prisão e busca, incluindo a prisão do pai de Vorcaro, acusado de articular atividades de intimidação e espionagem.
- 7ª fase (19.mai.2026) – A operação visou apurar vazamentos de informações sigilosas relacionadas ao caso Master, resultando no afastamento de um perito da PF.
- 8ª fase (26.mai.2026) – O ex-governador Cláudio Castro foi investigado por suspeitas de crimes envolvendo o Master e o Rioprevidência, com movimentações financeiras de R$ 3 bilhões.
- 9ª fase (18.jun.2026) – O
