Peru Revela Candidatos do 2º Turno Um Mês Após Eleição Presidencial
Eleição no Peru enfrenta desafios com candidatos investigados e propostas extremas.
O esquerdista Roberto Sánchez disputará a presidência do Peru contra a direitista Keiko Fujimori, após garantir uma vaga no segundo turno das eleições com uma margem mínima. Com 99,94% das atas eleitorais revisadas, o resultado foi considerado irreversível, conforme dados do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE).
Sánchez obteve 12% dos votos, enquanto Keiko já estava confirmada no segundo turno com 17,1%. A diferença entre Sánchez e o candidato de extrema direita, Rafael López Aliaga, foi de apenas 18.799 votos, com ele recebendo 11,9% dos votos na votação de 12 de abril.
A apuração dos votos avançou lentamente devido a contestações nas atas eleitorais. Após a confirmação da vantagem, Sánchez declarou que sua equipe está preparada para os desafios que o povo peruano apresentará.
O partido Renovação Popular, de López Aliaga, solicitou que a proclamação dos resultados fosse adiada até a conclusão de todas as revisões pendentes. Contudo, especialistas acreditam que não há mais espaço para alterações, uma vez que o Júri Nacional de Eleições não pode intervir.
O segundo turno ocorrerá em 7 de junho, em meio a uma crise política que já resultou na troca de oito presidentes desde 2016, a maioria deles destituídos ou forçados a renunciar por escândalos de corrupção.

O Peru também enfrenta uma crescente crise de segurança, com o aumento do crime organizado. O cenário atual é semelhante ao do segundo turno de 2021, que foi marcado por forte polarização. Naquela ocasião, Fujimori perdeu por uma margem estreita para Pedro Castillo.
Agora, a filha do ex-presidente Alberto Fujimori enfrenta Sánchez, que foi ex-ministro no governo de Castillo, destituído e preso. Esta será a quarta tentativa de Fujimori de conquistar a presidência, enquanto Sánchez, de 57 anos, concorre ao cargo pela primeira vez.
No primeiro turno, atrasos na distribuição de material eleitoral impediram mais de 50 mil pessoas de votar, resultando na extensão da votação por um dia. A missão de observação da União Europeia apontou “graves deficiências”, mas não encontrou evidências de fraude.
Apesar disso, López Aliaga continua a denunciar irregularidades no processo eleitoral.
Acusação do Ministério Público

Sánchez inicia sua campanha para o segundo turno sob investigação. O Ministério Público pediu cinco anos e quatro meses de prisão por suposto crime eleitoral, relacionado a declarações falsas sobre contribuições de campanha entre 2018 e 2020.
Documentos confirmados pela promotoria indicam inconsistências nos relatórios financeiros do partido Juntos pelo Peru. A acusação afirma que a autoria dos crimes de falsa declaração e falsificação de informações sobre contribuições é atribuída a Roberto Sánchez.</p
