Polícia Federal apura empresa da Virginia por recebimento de R$ 22,4 milhões
Influenciadora Virginia Fonseca é investigada pela Polícia Federal por movimentações financeiras suspeitas.
A influenciadora Virginia Fonseca se encontra sob investigação da Polícia Federal devido a movimentações financeiras que levantam suspeitas sobre sua legalidade. As apurações estão focadas na origem e no destino de transferências significativas, além de possíveis irregularidades fiscais e indícios de lavagem de dinheiro.
Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelam que a Talismã Digital, empresa associada a Virginia e seu ex-marido, o cantor Zé Felipe, recebeu R$ 22,4 milhões entre março e setembro de 2024. Desse montante, R$ 21,4 milhões foram transferidos em 44 operações via Pix, e R$ 1 milhão por meio de TED. A empresa encerrou suas atividades em 2025, o que levanta questionamentos sobre a natureza dessas transações.
A investigação ocorre em um momento estratégico, próximo ao início da Copa do Mundo, marcada para 11 de junho de 2026. Virginia foi designada como uma das repórteres da TV Globo para cobrir o evento e já compartilhou em suas redes sociais sua chegada aos Estados Unidos. Suas postagens, que incluem citações bíblicas, foram interpretadas por muitos como respostas às recentes notícias sobre a investigação.
Um dos pontos centrais das investigações é a relação da Talismã Digital com a Amp Pay Marketing, que transferiu R$ 17,7 milhões em cinco transações via Pix. A Amp Pay está registrada no Simples Nacional, um regime tributário que estabelece um teto de faturamento anual de R$ 4,8 milhões, o que gera questionamentos sobre a conformidade fiscal das operações.
A Polícia Federal também investiga a conexão entre empresas vinculadas a Virginia, a processadora de pagamentos Amp Pay e plataformas de apostas online. Em 2024, a influenciadora foi convocada a depor na CPI das Bets, no Senado, sobre sua publicidade em casas de apostas. Embora o relatório final da comissão tenha sido rejeitado, os documentos coletados serviram como base para a investigação atual.
Além disso, Virginia é mencionada em investigações relacionadas a Thiago Stabile, sócio-administrador da WePink, que possui passagens empresariais associadas à Pink Lash. Esta última teve vínculos anteriores com Karen de Moura Tanaka Mori, conhecida como Japa do PCC, que está presa por acusações de lavagem de dinheiro e associação ao crime organizado.
A defesa de Virginia Fonseca refuta todas as alegações de irregularidades, afirmando que não há movimentações ilegais em suas operações. Em comunicado, a defesa explicou que uma movimentação atípica em relatórios financeiros não implica necessariamente em práticas ilícitas. Além disso, garantiu que a WePink não possui qualquer vínculo societário, operacional ou financeiro com a Pink Lash ou indivíduos ligados ao crime organizado.
De acordo com a defesa, a WePink foi criada em 2021 de forma autônoma, com sua própria estrutura, governança e registros contábeis. A empresa atua no comércio eletrônico e no varejo físico, incluindo quiosques em shoppings, e assegura que todos os depósitos em dinheiro são conciliados com o fechamento de caixa e a emissão de cupons fiscais. Em 2025, a WePink teve um faturamento significativo de R$ 1,3 bilhão, segundo informações de publicações do setor.
